A prisão de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e as revelações da CPMI do INSS colocaram Alexandre de Moraes no centro de um debate que muitos preferiram ignorar por anos. Mas o cenário mudou: figuras de campos políticos opostos que apoiaram abertamente as ações do ministro agora recuam publicamente — algumas com argumentos consistentes, outras apenas porque os holofotes mudaram de direção.
De aliados a críticos: quem mudou de lado
A OAB Federal, que em 2019 saudou a abertura do Inquérito das Fake News como medida necessária à democracia, passou a criticar o mesmo inquérito como uma “investigação de natureza perpétua” com “tom intimidatório”. O senador Hamilton Mourão foi além: citou a própria fala de dezembro de 2022 — quando chamou o Brasil de “democracia pujante” em cadeia nacional — e disse publicamente que “estava enganado”. O ex-candidato à presidência Ciro Gomes, que pediu em 2022 que os brasileiros acatassem as decisões do STF, hoje compara Moraes a um juiz que “bate lateral, faz o gol e ainda valida como árbitro”. O governador Eduardo Leite saiu da defesa à crítica em menos de cinco meses.
O padrão que explica tudo
Em quase todos os casos, a virada coincide com o momento em que os alvos das ações de Moraes deixaram de ser exclusivamente ligados ao campo bolsonarista. Enquanto as prisões, bloqueios de contas e censuras atingiam apenas um lado do espectro político, o silêncio era confortável — e lucrativo. A operação contra o jornalista Luís Pablo, do Maranhão, tornou o silêncio insustentável para parte da esquerda. A Vaza Toga, em agosto de 2024, expôs o uso do aparato judicial para fins que iam além de qualquer narrativa institucional. E o escândalo do celular de Vorcaro — com mensagens trocadas com número vinculado ao STF — transformou críticas em urgência política. O que estava em jogo sempre foi o poder. A democracia chegou depois, quando conveniente.