O Brasil de 2026 é um lugar estranho. Daniel Vorcaro está preso, Alexandre de Moraes explica suas versões que vão desmoronando uma a uma, e o ministro André Mendonça — o “terrivelmente evangélico” indicado por Bolsonaro ao STF — acumula expectativas de uma sociedade faminta por justiça. A questão é simples e cruel: ele vai à luta ou vai acomodar interesses, como é tradição na Corte?
O peso do momento histórico
O escândalo do Banco Master e de Vorcaro escancarou o que muitos suspeitavam: há uma teia de relações entre o mundo financeiro, o STF e o poder político que vai muito além do que se vê nos despachos oficiais. As mensagens entre Vorcaro e Moraes, periciadas pela PF, as oito perguntas que o ministro ainda não respondeu sobre a casa em Trancoso — tudo isso cria uma janela rara de oportunidade para que alguém dentro do STF aja com independência de verdade. André Mendonça é esse alguém?
Santo ou guerreiro — o dilema da direita no Supremo
O analista Paulo Polzonoff Jr., da Gazeta do Povo, coloca o dedo na ferida: “Na situação em que estamos, nunca precisamos tanto de um herói. Um herói mais para santo do que para guerreiro. Um herói que aja com base na sabedoria, e não na esperteza.” Mendonça assistiu, ao longo dos últimos anos, a abusos sucessivos de colegas como Moraes, Toffoli e Gilmar Mendes. A direita que o apoiou espera que ele cobre a conta agora — não com revanchismo, mas com a simples aplicação da lei. A família brasileira, o trabalhador, o empreendedor que vive sob um sistema judicial que parece ter duas varas de medir — todos aguardam. O relógio está correndo.
OPINIãO