VORCARO PAGOU SITE DE ESQUERDA PARA ‘BATER NOS INIMIGOS’: mensagens revelam que banqueiro orientou patrocínio ao DCM para calar críticas e atacar concorrentes
Novas revelações do inquérito do caso Master expõem mais uma faceta do esquema montado pelo banqueiro Daniel Vorcaro: o fundador do Banco Master teria orientado seu operador a negociar patrocínio com o site de esquerda Diário do Centro do Mundo (DCM). O objetivo declarado — nas próprias palavras de Vorcaro — era usar o veículo para “bater nos inimigos” e calar publicações negativas sobre o banco. A revelação foi publicada com exclusividade pelo Estadão, com base em material do inquérito da Polícia Federal.
As mensagens que expõem o esquema
Segundo o inquérito, Vorcaro enviou ao operador conhecido como “Sicário” — Luiz Phillipi Mourão, preso na Operação Compliance Zero e que depois se suicidou na cela — links de textos críticos do DCM sobre o Master. Após reclamar das publicações, o banqueiro ordenou: “Cara, vamos contratar eles pra fazer isso com os outros. E não comigo. Usar eles pra bater nos inimigos. Aí eu faria um pacote patrocínio mensal.” O próprio Vorcaro identificou o Itaú como alvo principal dos ataques encomendados.
Padrão de influência sobre a opinião pública
Para a Polícia Federal, a tentativa de contratar o DCM se encaixa no padrão já identificado no esquema de Vorcaro: influenciar sistematicamente a opinião pública para obter benefícios ao Banco Master. O mesmo modus operandi teria sido usado para mobilizar influenciadores digitais a atacar o Banco Central durante o processo de liquidação do Master. O DCM nega ter recebido pagamentos e afirma que a narrativa não encontra respaldo em documentos oficiais. A defesa de Vorcaro se recusa a comentar, alegando que os dados são fruto de “vazamentos ilegais de material sigiloso”. O caso está sob investigação do STF.