Toffoli no escândalo do Master: resort Tayayá renegociou dívida 5 vezes com juros abaixo da Selic
O ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli está no centro de um novo escândalo financeiro. O Estado de S. Paulo revelou que o resort Tayayá — empreendimento ao qual Toffoli esteve diretamente ligado como sócio — renegociou um empréstimo de R$ 20,4 milhões com o Bradesco nada menos que cinco vezes, sempre com condições privilegiadas: sem multa por impontualidade e com juros bem abaixo do mercado.
As condições especiais que o trabalhador comum jamais conseguiria
A última renegociação, registrada em cartório em outubro de 2024, estendeu o prazo de pagamento por mais 21 meses — com juros prefixados de 6,5% ao ano. Para efeito de comparação, a taxa média praticada pelo próprio Bradesco para financiamento imobiliário de pessoas jurídicas no mesmo período era de 10,5% ao ano, segundo a Febraban. Em outras palavras: o empreendimento ligado ao ministro do STF pagou quatro pontos percentuais a menos do que qualquer empreendedor comum pagaria. Além disso, nenhuma multa por impontualidade foi cobrada nas cinco renegociações ocorridas entre 2016 e 2024.
A teia entre Toffoli, Vorcaro e o Master
O que torna o caso ainda mais grave é a ligação direta com o escândalo do Banco Master. Parte da participação de Toffoli no Tayayá foi vendida a um fundo cujo único cotista era Fabiano Zettel — cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, atualmente preso pela Polícia Federal. Segundo o Estadão, R$ 35 milhões foram destinados para essa operação. O ministro nega ter recebido dinheiro do Master, mas os registros societários traçam um caminho claro: Zettel investia no fundo Leal, que por sua vez investia no fundo Arleen, que em setembro de 2021 passou a ser sócio das empresas do resort Tayayá. Toffoli tornou-se sócio formal do mesmo resort em 2021, exatamente o mesmo ano.
O problema do impedimento que não foi declarado
Para tornar o escândalo ainda mais sério, o Estadão apurou que Toffoli julgou ações envolvendo o Bradesco após 2018 — período em que ele próprio estava formalmente ligado a um empréstimo ativo com o banco. O ministro se declarou impedido de julgar casos do Bradesco entre 2016 e 2018, mas as declarações de impedimento teriam cessado justamente quando ele se tornou sócio mais formal do empreendimento, em 2021. O cidadão brasileiro, que paga seus impostos em dia e não tem acesso a crédito com as condições que o Tayayá obteve, tem direito a saber: quem fiscaliza o fiscal?
Fontes: O Estado de S. Paulo, Gazeta do Povo