STF E PGR PODEM BLOQUEAR DELAÇÃO DE VORCARO: ‘Estamos nas mãos dessas pessoas’, alerta constitucionalista
A possibilidade de uma delação premiada de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master e preso há cerca de dez dias na Penitenciária Federal de Brasília, ganhou força com a manutenção de sua prisão pela Segunda Turma do STF. Mas especialistas alertam: mesmo que o banqueiro queira colaborar, o caminho passa obrigatoriamente pelo crivo do Supremo e da Procuradoria-Geral da República — dois atores com histórico de interesse em controlar o alcance das investigações.
“Antes de mais nada, o STF pode não homologar a delação, assim como pode decidir por um sigilo amplo. Estamos nas mãos dessas pessoas”, alertou o constitucionalista Alessandro Chiarottino. O novo advogado de Vorcaro, José Luís de Oliveira Lima — apelidado de “Juca” — é especialista em delações complexas e já atuou na Lava Jato, no caso Mensalão e na defesa do general Braga Netto. A chegada dele é interpretada nos bastidores como sinal claro de que a estratégia mudou: Vorcaro quer colaborar.
O problema é que a PGR pode simplesmente não se interessar pela delação — e se isso acontecer, Vorcaro poderia negociar diretamente com a PF, mas a PGR poderia pedir condenação rígida depois, ignorando a colaboração. Mesmo que a negociação avance, o STF precisa homologar o acordo. Ministros como Gilmar Mendes — aliado declarado de Moraes e Toffoli — podem tentar levar o julgamento ao plenário presencial para reiniciar a votação. A delação que pode abalar o poder pode nunca chegar ao cidadão brasileiro.