STF COMO JUIZ DE SI MESMO: Como Moraes, Toffoli e o PGR podem esvaziar a delação de Vorcaro antes que ela chegue ao cidadão
A delação premiada de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, pode revelar o que muito brasileiro já suspeita: que o poder financeiro e o poder judicial no Brasil operam em simbiose. Mas há um problema estrutural que ameaça o acordo antes mesmo de ele ser homologado: o STF teria que autorizar a investigação de seus próprios ministros.
Os fatos são sérios. Relatórios apontam mensagens suspeitas trocadas entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, além de participações societárias do ministro Dias Toffoli em negócios ligados ao grupo do banqueiro — ambos negam irregularidades. Agora, com Vorcaro mantido preso em regime fechado pela Segunda Turma do Supremo, a pressão por um acordo de colaboração aumenta. O problema é que a palavra final sobre qualquer delação que envolva ministros do STF pertence ao próprio STF. É o que especialistas chamam de mecanismo de autoproteção institucional: o tribunal pode alegar falhas técnicas, impor sigilo irrestrito ou simplesmente não homologar os trechos mais incômodos.
Soma-se a isso o papel do procurador-geral Paulo Gonet: ele foi contrário à operação que prendeu Vorcaro e seu nome apareceu numa lista de autoridades que participaram de um evento de luxo bancado pelo banqueiro em Londres. Se Gonet resistir às negociações ou limitar o escopo da delação, o cidadão pode nunca saber o que Vorcaro tem a dizer. O novo advogado de defesa, José Luís Oliveira Lima — o mesmo que defendeu José Dirceu no mensalão e Braga Netto recentemente — já sinalizou que o caminho formal da colaboração está sendo preparado. A pergunta que fica: haverá alguém com independência suficiente para garantir que a verdade chegue à tona?