PISO DOS ENTREGADORES: Relator propõe R$ 8,50 por entrega — empresas alertam que trabalhador vai ganhar menos
O debate sobre o piso mínimo de remuneração para entregadores de aplicativos chegou a um ponto crítico no Congresso Nacional. O relator do projeto vai propor o valor de R$ 8,50 por entrega — abaixo dos R$ 10,00 defendidos pelo governo Lula, mas ainda contestado pelo setor empresarial.
As plataformas de entrega — iFood, Rappi, Uber Eats e similares — afirmam que qualquer tabelamento vai na contramão do trabalhador. O argumento é direto: com um piso fixo por entrega, as empresas vão reduzir o número de pedidos disponíveis e aumentar o tempo mínimo entre entregas, fazendo o entregador trabalhar mais para ganhar o mesmo. O custo para o consumidor também sobe.
O governo insiste que o projeto é uma conquista para os trabalhadores de aplicativo, categoria que hoje opera sem qualquer garantia trabalhista formal. Mas a conta não fecha para quem está na ponta: entregadores de cidades menores, onde o volume de pedidos é baixo, podem ver a renda cair com a nova regra. Intervenção sem estudo de impacto real é populismo com tabuleta de proteção social.
O que está em jogo
- Governo queria R$ 10,00 por entrega; relator propõe R$ 8,50
- Empresas dizem que o tabelamento reduz oferta de pedidos e prejudica o entregador
- Sem acordo, o projeto pode ser votado ainda nesta semana no Congresso
- Mais de 1,5 milhão de trabalhadores no Brasil atuam como entregadores de aplicativo
O trabalhador autônomo brasileiro não precisa de tabelamento — precisa de menos imposto, menos burocracia e mais liberdade para negociar suas condições. O Congresso deveria ouvir quem pedala antes de legislar.