PF QUER MAIS PRAZO: Investigação do caso BRB-Master expõe volume colossal de provas — Mendonça decide
A Polícia Federal solicitou ao ministro André Mendonça, do STF, a prorrogação do prazo de conclusão das investigações envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e o escândalo BRB-Master. O prazo original, prorrogado por 60 dias em janeiro, vence nesta segunda-feira (16/3) — e a PF alega que o volume de provas apreendidas nas três fases da Operação Compliance Zero é tão grande que mais tempo é necessário para análise completa.
Segundo fontes ouvidas pelo Correio Braziliense, a solicitação é prática comum em investigações desta magnitude. “Esse tipo de pedido é muito comum nos processos e, normalmente, o juiz concede”, explicou uma fonte familiarizada com o trâmite. Espera-se que Mendonça acate o pedido nos próximos dias, mantendo o ritmo de uma das investigações mais importantes já conduzidas no sistema financeiro nacional.
O tamanho do escândalo
Os números do caso são estarrecedores. Segundo estimativas da própria PF, o BRB transferiu aproximadamente R$ 16,7 bilhões ao Banco Master. Desse total, cerca de R$ 12 bilhões foram usados para comprar carteiras de crédito consideradas de baixa qualidade e sem garantias financeiras adequadas — títulos que o Ministério Público Federal classificou como sem lastro real. O escândalo ganhou dimensão nacional quando o BRB, banco público do Distrito Federal, foi visto como principal prejudicado pelo esquema.
Milícia privada investigada
Na terceira fase da Operação Compliance Zero, realizada em março deste ano, a PF ampliou o foco das investigações para apurar crimes de ameaça, corrupção, invasão de dispositivos informáticos e lavagem de dinheiro. As investigações apontam para a existência de uma estrutura criminosa organizada, descrita nas apurações como uma espécie de “milícia privada” que teria sido utilizada para monitorar e intimidar adversários empresariais, autoridades, ex-funcionários e jornalistas. Vorcaro, preso em Brasília desde 8 de março, já trocou de advogado pela segunda vez e os sinais apontam para uma possível delação premiada — que, se confirmada, pode abalar as estruturas do poder em Brasília.