NOVA REFORMA DA PREVIDÊNCIA: Gastos ultrapassam R$ 1 trilhão e grupo técnico começa a desenhar mudanças para o próximo governo
A Previdência Social brasileira rompeu, em 2025, uma barreira fiscal histórica: pela primeira vez, os gastos com benefícios ultrapassaram R$ 1 trilhão — cifra de R$ 1,03 trilhão, equivalente a cerca de 12% do PIB quando considerados todos os regimes previdenciários.
Para fechar a conta, o Tesouro Nacional precisou desembolsar R$ 320,9 bilhões — R$ 7,1 bilhões a mais que no ano anterior. O déficit é financiado com emissão de dívida, o que pressiona os juros e comprime o investimento público.
Grupo técnico já trabalha em nova proposta
O mesmo grupo que formulou a reforma de 2019 — liderado pelo pesquisador Paulo Tafner (FGV), com Leonardo Rolim, Rogério Nagamine e Sérgio Amazonas, e apoio do ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga — prepara uma nova proposta para ser apresentada ao próximo governo.
“Para você ter uma ideia do que temos pela frente: o gasto de hoje será o déficit de amanhã. É explosivo”, alertou Tafner à Gazeta do Povo.
Reforma de 2019 não foi suficiente
Apesar de ter sido a mudança estrutural mais ampla já feita no sistema previdenciário brasileiro, a reforma aprovada em 2019 não reverteu o desequilíbrio. Temas politicamente sensíveis foram retirados do texto, que acabou aprovado com cerca de 65% da proposta original.
- Expectativa de vida deve ultrapassar 81 anos em 2050
- Número de aposentados deve dobrar nos próximos 30 anos
- Contingente de contribuintes permanece praticamente estável
- Sem ajustes, déficit pode chegar a 12% do PIB em 2060
O trabalhador vai pagar a conta
Projeções indicam que, sem uma nova rodada de reformas, a Previdência continuará sendo o principal vetor de pressão sobre as contas públicas — e o trabalhador será quem arcará com os juros crescentes e o aumento de impostos inevitável para cobrir o rombo.
Fonte: Gazeta do Povo