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BRASIL

LULINHA VIAJOU COM CARECA DO INSS: Defesa admite viagem a Portugal e alega “visita à fábrica de cannabis” — mas PF investiga mesada de R$ 1,5 milhão

LULINHA VIAJOU COM CARECA DO INSS: Defesa admite viagem a Portugal e alega “visita à fábrica de cannabis” — mas PF investiga mesada de R$ 1,5 milhão

Pela primeira vez, a defesa do empresário Fábio Luís Lula da Silva, o “Lulinha”, admitiu que ele viajou a Portugal com Antônio Camilo de Oliveira Neto, o “Careca do INSS” — o lobista preso desde setembro de 2025 por sua participação no esquema de fraudes que desviou bilhões dos aposentados e pensionistas brasileiros.

A versão da defesa

Segundo o advogado Daniel Carvalho, a viagem foi feita em novembro de 2024 a convite do próprio Careca, para visitar uma fábrica de produtos de cannabis medicinal em Portugal. O defensor afirmou que Lulinha foi apresentado ao lobista por uma amiga em comum, a empresária Roberta Luchsinger, e que a visita à fábrica não resultou em nenhuma parceria comercial. Carvalho sustentou ainda que o filho do presidente não tinha conhecimento das fraudes no INSS e não recebeu dinheiro desviado de aposentadorias.

O que a PF encontrou

A versão da defesa, no entanto, enfrenta sérias contradições com os achados da Polícia Federal. As investigações apontam cinco pagamentos de R$ 300 mil cada — totalizando R$ 1,5 milhão — de uma empresa ligada ao Careca para uma empresa da empresária Roberta Luchsinger. Em mensagens de WhatsApp, o próprio lobista teria dito a um ex-sócio que o valor era “para o filho do rapaz”. Um ex-funcionário do Careca declarou à PF que o lobista mantinha uma mesada mensal de R$ 300 mil para Lulinha, com o objetivo de facilitar contratos de venda de canabidiol para o Ministério da Saúde. Além disso, Roberta enviou mensagem ao Careca dizendo que “acharam um envelope com o nome do nosso amigo”, referindo-se a uma operação anterior da PF, e instruiu-o a “jogar fora os telefones”. Os sigilos bancário e fiscal de Lulinha foram quebrados pela PF em janeiro de 2026. A CPMI do INSS também aprovou quebra de sigilo no final de fevereiro, mas a medida foi suspensa por decisão do ministro Flávio Dino, do STF.

O eleitor que paga a conta

Enquanto a defesa de Lulinha tenta construir uma narrativa de inocência, o escândalo do INSS segue como uma das maiores feridas políticas do governo Lula — com bilhões desviados de trabalhadores que contribuíram a vida toda para a Previdência. A CPMI que investiga o caso permanece sob forte pressão do Palácio do Planalto e seus aliados no STF para limitar seu alcance.

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