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POLíTICA

FUGA DO ESCÂNDALO: Motta e Alcolumbre esvaziamento Congresso com votações virtuais enquanto CPI do Master avança

FUGA DO ESCÂNDALO: Motta e Alcolumbre esvaziamento Congresso com votações virtuais enquanto CPI do Master avança

O presidente da Câmara, Hugo Motta, e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, articularam um calendário de votações virtuais por três semanas no Congresso Nacional. A medida coincide exatamente com o avanço das investigações da Polícia Federal sobre o Banco Master e com a pressão crescente da oposição para instalar uma CPI sobre o escândalo financeiro.

Oficialmente, a justificativa é a chamada “janela partidária”, período que vai até 3 de abril e permite que políticos troquem de partido. Na prática, o acordo permite que deputados e senadores se ausentem de Brasília, reduzindo o calor político em torno das denúncias contra o banqueiro Daniel Vorcaro. Mensagens analisadas pela PF mostram que Vorcaro mantinha contatos frequentes com lideranças do Legislativo, com menções a jantares nas residências oficiais da Câmara e do Senado.

A oposição já tem assinaturas suficientes para a instalação de uma CPMI do Master, mas Alcolumbre segura a leitura do pedido no plenário. Parlamentares como Eduardo Girão e Adriana Ventura criticam o esvaziamento do Congresso e chamam a manobra de “omissão” diante de suspeitas graves de corrupção. Projetos que criavam novas regras para bancos em dificuldades também foram retirados da pauta — qualificados como “inoportunos” diante da crise.

Pauta legislativa blindada

Além do escândalo Master, o calendário virtual trava votações que poderiam constranger aliados do governo. Com o Congresso disperso pelos estados, a pressão sobre os presidentes das Casas diminui e o risco de uma votação surpresa favorável à oposição é eliminado. A estratégia é conhecida: quando o escândalo queima, apaga-se o fogo com ausência.

O trabalhador brasileiro — que paga caro pelos erros do sistema financeiro e confia no Congresso para fiscalizá-lo — fica sem representação enquanto seus eleitos preferem a confortável “janela” ao desconforto da responsabilidade.

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