Ex-ministro de Lula detido e deportado do Panamá por ‘antecedentes criminais’ — governo panamenho pede desculpas
O jornalista Franklin Martins, ex-ministro da Secretaria de Comunicação Social durante o segundo mandato de Lula, foi detido e deportado do Panamá na última sexta-feira (6/3). Ele tentava fazer conexão no aeroporto da Cidade do Panamá com destino à Guatemala quando foi abordado por policiais, conduzido para entrevista e informado de que seria deportado de volta ao Brasil. A justificativa: uma lei panamenha que proíbe entrada ou conexão de estrangeiros com antecedentes criminais graves.
O passado que o petismo prefere esquecer
O episódio ganhou repercussão pelo motivo alegado pelas autoridades panamenhas: a prisão de Franklin Martins em 1968, durante a ditadura militar. Segundo o próprio ex-ministro, os policiais fizeram perguntas diretas sobre os motivos de sua detenção na época. Franklin argumentou que foi preso por lutar contra o regime ditatorial. O problema é que os sistemas migratórios internacionais registram ocorrência criminal — e a triagem automática do Panamá não faz distinção entre o contexto histórico e a existência do registro. O ex-ministro foi deportado sem que lhe fosse permitido contato com a Embaixada Brasileira.
A reação do governo Lula e o pedido de desculpas
O Itamaraty foi acionado imediatamente. O ministro Mauro Vieira entrou em contato com o chanceler panamenho Javier Martinez-Acha. No domingo (8/3), o governo do Panamá emitiu carta de desculpas, afirmando que houve aplicação equivocada de procedimentos migratórios e que Franklin é muito bem-vindo ao país. O governo Lula aceitou as desculpas sem maiores comentários públicos.
O contexto: mundo mais rigoroso nas fronteiras
Com o endurecimento das políticas migratórias em vários países — especialmente sob influência da postura americana de Trump — sistemas de triagem automática estão sendo ativados com mais frequência. O cidadão comum que tenta viajar ao exterior com qualquer ocorrência em seu histórico sabe bem o que significa enfrentar uma barreira no controle de fronteiras. O ex-ministro petista experimentou, na prática, o que qualquer trabalhador brasileiro sem influência governamental pode passar. A diferença é que, para Franklin, bastou uma ligação do Itamaraty para resolver.
Fontes: Correio Braziliense, Jornal GGN