CORRUPÇÃO VIRA PAUTA NÚMERO 1: Caso Master eleva temor do eleitor e favorece conservadores em 2026
O escândalo do Banco Master fez o que nenhum marqueteiro conseguiu: colocou a corrupção no topo das preocupações do eleitor brasileiro. Pesquisa AtlasIntel/Bloomberg com quase 5 mil entrevistados mostra que 54,3% dos brasileiros apontam a corrupção como o principal problema do país — praticamente empatada com violência e tráfico de drogas (53,3%). Já o levantamento Genial/Quaest de março mostrou corrupção subindo para 20% das preocupações, superando saúde, desemprego e educação.
O caso Master deixou de ser visto apenas como um rombo financeiro gigantesco para se converter, na percepção do cidadão, no maior escândalo de corrupção da história recente — com suspeitas sobre os três poderes da República. Banco Central, STF, fundos de previdência pública: nenhum saiu imune. E diferente da Lava Jato, que correu pelas instâncias inferiores, desta vez o STF é o próprio alvo das investigações, com dois de seus ministros diretamente envolvidos.
O cientista político Antônio Flávio Testa é direto: “Isso será exposto mundialmente.” Já Leandro Gabiati, do Ibmec-DF, aponta que o espaço político aberto favorece candidatos que se identificam com a agenda anticorrupção — e que a oposição conservadora está melhor posicionada para capturar esse sentimento. O partido Novo, que liderou os pedidos de impeachment de ministros do STF e CPI do Master, é hoje o mais associado à bandeira.
Cenário eleitoral mudou
Ratinho Jr., Caiado e Eduardo Leite já se movimentam para 2026 com discursos de moralização. Flávio Bolsonaro cresce nas pesquisas. A pauta que elegeu Bolsonaro em 2018 está de volta — com mais força e com alvos ainda mais poderosos. Para o trabalhador que viu dinheiro do FGTS e da previdência circular por esquemas suspeitos, a conta chegou. E nas eleições de 2026, ela será cobrada.