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ECONOMIA

BOMBA FISCAL: Previdência passa de R$ 1 trilhão e próximo governo terá que fazer nova reforma — ou o trabalhador pagará a conta

BOMBA FISCAL: Previdência passa de R$ 1 trilhão e próximo governo terá que fazer nova reforma — ou o trabalhador pagará a conta

A Previdência Social brasileira ultrapassou, em 2025, uma barreira fiscal simbólica e alarmante: pela primeira vez na história, os gastos com benefícios chegaram a R$ 1,03 trilhão — o equivalente a cerca de 12% do Produto Interno Bruto (PIB). Para fechar a conta, o Tesouro Nacional precisou desembolsar R$ 320,9 bilhões extras, um aumento de R$ 7,1 bilhões em relação ao ano anterior.

Especialistas ouvidos pela Gazeta do Povo são unânimes: sem uma nova reforma da Previdência, o sistema será insustentável. O mesmo grupo técnico que elaborou a proposta aprovada em 2019 — composto por Paulo Tafner (FGV), Leonardo Rolim, Rogério Nagamine e Sérgio Amazonas, com apoio do ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga — já prepara uma nova proposta para o próximo governo.

Por que a reforma de 2019 não foi suficiente?

A emenda constitucional de 2019, considerada a maior mudança estrutural do sistema previdenciário brasileiro, extinguiu a aposentadoria por tempo de contribuição e reformulou o cálculo dos benefícios. Mas o Congresso suavizou o texto original: segundo Tafner, apenas 65% do que foi proposto foi aprovado. “Se não tivesse sido feita, o gasto já estaria perto de 16% do PIB”, afirma o pesquisador.

O que espera o próximo governo

A projeção do Ministério da Previdência Social indica que o número de aposentados deve dobrar nos próximos 30 anos, enquanto o número de contribuintes permanecerá praticamente estável. Especialistas apontam três problemas que a próxima reforma terá que enfrentar:

  • Aposentadorias rurais: concentram 65% do déficit do INSS, com regras que não refletem mais a realidade da expectativa de vida no campo
  • Funcionalismo público: o governo federal aportou mais de R$ 62 bilhões em 2025 para cobrir o rombo das aposentadorias públicas
  • Salário mínimo: 60% dos benefícios estão atrelados ao piso — cada aumento real pressiona estruturalmente as despesas previdenciárias

O trabalhador brasileiro já paga, via emissão de dívida, juros mais altos e investimento público comprimido, o custo desse desequilíbrio. A questão é: qual candidato em 2026 terá coragem política de propor os ajustes necessários antes que o sistema entre em colapso?

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