O ministro aposentado do STF Luís Roberto Barroso admitiu em entrevista à GloboNews que a Corte atravessa “um momento difícil”, mas pediu cautela para não deixar que “um fato conte a história da instituição”. As declarações ocorrem em meio ao escândalo do Banco Master, que envolve dois ministros ativos — Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.
“Há uma percepção crítica real. Eu leio o jornal, vou à farmácia, tenho amigos. Portanto, é um momento difícil”, reconheceu Barroso. Ao mesmo tempo, defendeu que “a gente não deve fazer juízos precipitados”.
Código de ética: Barroso diz que tinha “simpatia” mas não avançou
Sobre o código de conduta para ministros — em discussão após o escândalo do Master —, Barroso disse ter “simpatia” pela ideia, mas que não a levou adiante enquanto presidente da Corte porque o tema é “divisivo” internamente. “Se há uma demanda da sociedade, e não há nada a esconder, eu não vejo por quê não fazer”, afirmou, mas ponderou que o “timing talvez não tenha sido feliz”.
Juízes podem ser acionistas?
Barroso também causou polêmica ao defender que juízes podem ser acionistas de empresas — desde que não tenham relacionamento com partes que possam ter interesse em suas decisões. A declaração veio num contexto em que a família de Toffoli tinha negócios com o dono do Master.
Um jornalista perguntou, em tom de brincadeira, se Barroso costumava apagar mensagens do celular — referência indireta às supostas mensagens de “visualização única” entre Moraes e Vorcaro. Barroso respondeu que não apaga: “Tenho má memória.”
Fonte: Jovem Pan / Estadão