Guerra no Irã: Mãe que Perdeu 2 Filhos em Escola Bombardeada Fala na ONU — 175 Mortos, EUA e Israel na Berlinda
Uma mãe iraniana que perdeu dois filhos no bombardeio que destruiu uma escola em Minab, no sul do Irã, levou seu testemunho a uma reunião de emergência do Conselho de Direitos Humanos da ONU nesta sexta-feira (27). Mohaddeseh Fallahat cobrou justiça e relembrou as últimas palavras que ouviu dos filhos: Venha nos buscar depois da escola.
O ataque, ocorrido durante os primeiros dias dos bombardeios conjuntos de Estados Unidos e Israel contra o Irã, deixou cerca de 175 mortos, entre crianças e professores, segundo os dados divulgados pela própria ONU. O governo iraniano, no entanto, divulga o número de 250 vítimas entre estudantes e professores.
Depoimento que parou o mundo
Em depoimento emocionado na sessão de Genebra, Fallahat descreveu o momento em que enviou os filhos, Amin e Mehdi, para a escola naquela manhã como qualquer outra. Não havia nenhum sinal de que seria a última vez.
Hoje, ao passar pelo quarto deles, sinto vontade de abrir a porta e vê-los como sempre. Mas o quarto está silencioso. Muito mais silencioso do que uma casa deveria ser, afirmou, entre lágrimas.
A mãe relatou que ainda guarda roupas compradas para o Ano Novo iraniano e cadernos que ficaram inacabados. Ela encerrou seu depoimento pedindo justiça: Não por vingança, mas por justiça.
Irã acusa EUA e Israel de genocídio
Na mesma sessão da ONU, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, acusou os Estados Unidos e Israel de cometer genocídio e pediu que a ONU condene formalmente os dois países pelo ataque à escola.
Os EUA e Israel negam ter atingido intencionalmente civis e afirmam que as instalações eram usadas para fins militares pelo regime iraniano — versão rejeitada pelo governo de Teerã.
A guerra entra na 4ª semana
O conflito já entra em sua quarta semana, com negociações de cessar-fogo marcadas por mensagens conflitantes. O Irã mantém o bloqueio parcial do Estreito de Ormuz, canal estratégico por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, enquanto Trump estendeu prazos diplomáticos mas mantém a pressão militar.
O ataque à escola em Minab tornou-se o símbolo mais impactante do conflito, mobilizando a opinião pública mundial e pressionando a ONU a adotar posição mais firme.
Fontes: G1/Globo, Gazeta do Povo, CNN Brasil