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BRASIL

A HIPOCRISIA DO STF: Ministros Criticam CPMI “Infinita” mas Mantêm Inquéritos Próprios Abertos Há 7 Anos Sem Julgamento

A HIPOCRISIA DO STF: Ministros Criticam CPMI “Infinita” mas Mantêm Inquéritos Próprios Abertos Há 7 Anos Sem Julgamento

O STF encerrou a CPMI do INSS por 8 votos a 2, com os ministros Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes liderando as críticas ao que chamaram de “desvio de finalidade” e “CPMI infinita”. O argumento era que a comissão parlamentar estava se arrastando além do prazo razoável. A ironia não passou despercebida: esses mesmos ministros presidem ou participam de inquéritos no próprio Supremo abertos há sete anos ou mais, sem previsão de encerramento.

Dois pesos, duas medidas

O chamado “inquérito das fake news”, aberto em 2019 por determinação do próprio STF — sem provocação de qualquer parte, em procedimento inédito e contestado por juristas — segue ativo. O inquérito que investiga o “golpe” também tramita há anos nos corredores da Corte, com prazos que se renovam indefinidamente. Segundo a Gazeta do Povo, ministros criticaram a CPMI como “infinita”, mas mantêm esses procedimentos internos sem qualquer urgência em finalizá-los.

O nó Vorcaro e o medo da exposição

O pivô da decisão foi o banqueiro Daniel Vorcaro. Ao apurar fraudes no consignado do INSS, a CPMI expandiu o foco para o Banco Master — e as mensagens obtidas revelaram visitas privadas de Vorcaro ao ministro Alexandre de Moraes, que nega ser íntimo do banqueiro. O receio de que o celular de Vorcaro expusesse ainda mais relações dos ministros com o alto escalão financeiro foi apontado nos bastidores como o real motivo da pressa em encerrar a comissão. Apenas André Mendonça e Luiz Fux votaram pela continuidade, defendendo o direito da minoria parlamentar de investigar.

Relatório vai à PGR

Com o prazo encerrado, a CPMI deverá apresentar seu relatório final — com mais de 220 indiciados, incluindo Lulinho (Luís Cláudio Lula da Silva) e o ex-ministro Carlos Lupi — até esta sexta-feira (27). Os dados coletados serão encaminhados à Procuradoria-Geral da República para eventuais processos criminais. O cidadão que acompanhou o trabalho da comissão agora aguarda para saber se o Ministério Público terá a mesma disposição investigativa que o Congresso demonstrou — ou se o caso se tornará mais um arquivo empoeirado nos escaninhos do Judiciário.

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