🔍 MORAES MANDA PF À CASA DE JORNALISTA: Objetivo real é identificar fontes, diz defesa — “Um escândalo e um abuso”
Não basta censurar. Agora querem saber quem contou. O ministro Alexandre de Moraes, do STF, autorizou mandados de busca e apreensão contra o jornalista maranhense Luís Pablo Conceição Almeida — e a defesa do profissional não tem dúvidas sobre o objetivo real da operação: identificar as fontes jornalísticas que forneceram as informações publicadas em seu blog.
O que o jornalista publicou
Almeida havia denunciado, no ano passado, que o ministro do STF Flávio Dino utilizava um veículo do Tribunal de Justiça do Maranhão — pago com recursos do Fundo Especial de Segurança dos Magistrados (FUNSEG-JE) — para fins pessoais e familiares. As reportagens incluíam a placa do veículo e detalhes do esquema de segurança. O jornalista afirma que checou todas as informações antes de publicar.
“Um escândalo e um abuso”
A Polícia Federal chegou à casa do jornalista na última terça-feira (10) e apreendeu seus computadores e celulares. O processo tramitava em sigilo — Almeida só soube que estava sendo investigado quando os agentes bateram à sua porta. O advogado Marcos Lobo foi direto ao ponto em entrevista à Folha de S. Paulo: “A alegação de stalking é para encobrir o real objetivo, que é identificar a fonte do jornalista. Não tenho a menor dúvida. Isso é um escândalo. Um abuso.”
Irregularidades apontadas pela defesa
- O processo tramitou em sigilo total — o investigado só soube ao ver a PF em sua porta
- O jornalista não tem foro privilegiado no STF — o caso não deveria estar lá
- O crime imputado (stalking) não se aplica à prática jornalística
- O objetivo real, segundo a defesa, é violar o sigilo de fonte — garantia constitucional da imprensa
Entidades de imprensa repudiaram a operação. A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e outras organizações chamaram a ação de ameaça à liberdade de imprensa e afirmaram que a “categoria está em risco”. O cidadão tem o direito de saber que o Estado usa aparato judicial para caçar quem informa sobre o comportamento de ministros do Supremo.
Fonte: Gazeta do Povo, Folha de S. Paulo — 13/03/2026