O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deixou claro neste domingo (8) que Washington não precisa mais do apoio militar britânico na guerra contra o Irã — e a declaração abriu mais uma frente de tensão entre os EUA e seus aliados europeus em meio ao décimo dia de conflito no Oriente Médio.
Trump manda recado a Starmer
Na rede social Truth Social, Trump publicou uma crítica direta ao primeiro-ministro britânico Keir Starmer, após o governo do Reino Unido anunciar que considerava enviar porta-aviões ao Oriente Médio.
“O Reino Unido, nosso antigo grande aliado — talvez o maior de todos — finalmente está considerando seriamente enviar dois porta-aviões para o Oriente Médio. Tudo bem, primeiro-ministro Starmer, não precisamos mais deles, mas vamos nos lembrar”, escreveu Trump.
A declaração soa como uma punição pública ao aliado histórico — que demorou para sinalizar apoio concreto ao esforço de guerra americano e israelense contra o regime do aiatolá.
Europa se divide: Meloni diz que Itália não entra na guerra
A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, também se manifestou neste domingo, afirmando que a Itália “não faz parte do conflito, nem tem intenção de ser”. Em comunicado, ela informou que está coordenando ações diplomáticas com França, Alemanha e Reino Unido para tentar reduzir a tensão.
Meloni confirmou que mobilizou uma fragata italiana em Chipre, descrevendo o gesto como “um ato de solidariedade europeia, mas sobretudo de prevenção”. O governo italiano fez questão de sublinhar que Washington não enviou solicitação formal para uso de bases militares em território italiano.
O cenário no Oriente Médio
No décimo dia da guerra EUA-Israel x Irã, os bombardeios continuam sobre Teerã e outras cidades iranianas. O aiatolá Ali Khamenei morreu em 28 de fevereiro nos ataques. Neste domingo, a Assembleia de Especialistas do Irã anunciou ter eleito um novo líder supremo — mas não revelou o nome do escolhido.
- A frota aérea iraniana, composta majoritariamente por aviões da era dos anos 1960-70, tem se mostrado incapaz de fazer frente aos modernos F-35 americanos e israelenses.
- O Irã intensificou investimentos em mísseis balísticos e drones, alvos prioritários dos bombardeios aliados.
- A Ilha de Kharg, responsável por cerca de 90% das exportações de petróleo iranianas, permanece como possível próximo alvo estratégico dos EUA e Israel.
O que está em jogo
A fricção entre Trump e os aliados europeus expõe uma fissura profunda: enquanto Washington age militarmente, potências europeias como Reino Unido, França, Alemanha e Itália tentam equilibrar solidariedade declarada com distância real do conflito — apostando na diplomacia enquanto os bombardeios continuam.
A declaração de Trump ao Reino Unido é também um aviso: na visão do presidente americano, aliados que hesitam são aliados que deverão ser lembrados.
Fontes: Jovem Pan, Gazeta do Povo, CNN Brasil