CPI DO MASTER AVANÇA: PCC lavou R$ 30 bilhões via fundo de investimento e dois servidores do Banco Central foram comprados por Vorcaro
A CPI do Crime Organizado deu um salto na investigação do escândalo do Banco Master nesta quarta-feira (11). A comissão aprovou a quebra dos sigilos do empresário Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, e de Luiz Philippi Mourão, o “Sicário” — operador do braço armado e tecnológico usado para coagir inimigos do grupo. Os dados fiscais, telefônicos e de mensagens dos dois agora estão nas mãos dos investigadores.
Mas o que chamou atenção foi o depoimento do fundador da gestora Reag, João Carlos Mansur: a Polícia Federal suspeita que a empresa foi usada para lavar R$ 30 bilhões do PCC em fundos de investimento. Mansur nega irregularidades e diz tratar o Banco Master como cliente comum, mas os senadores não acreditam na versão. Além disso, dois servidores do Banco Central — Paulo Sérgio Neves de Souza e Bellini Santana — teriam sido aliciados por Vorcaro para atuar como consultores informais, recebendo propina em troca de informações sigilosas sobre fiscalizações iminentes.
A CPI também aprovou requerimentos para investigar um jato Embraer Legacy 650 usado por Vorcaro e sócios. A análise dos diários de bordo pode revelar encontros suspeitos com outras organizações criminosas entre 2025 e 2026. Os senadores querem convocar ainda o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para explicar como a infiltração dentro do órgão regulador foi possível — e por quanto tempo o Banco Master ficou protegido por dentro.
Estrutura criminosa vai além das finanças
O que emerge das investigações é uma organização que combina corrupção financeira, intimidação física e infiltração institucional. Vorcaro não seria apenas um banqueiro que captou recursos irregulares — teria construído uma rede que alcança o PCC, servidores do Estado e, segundo documentos apreendidos, ministros do STF. A CPI tem até o fim do semestre para concluir seu trabalho. O relógio corre.