SENADO PERDE VOZ CONTRA MORAES: Mecias de Jesus renuncia ao mandato e abre disputa acirrada pelo TCU
O senador Mecias de Jesus (Republicanos-RR), um dos mais ativos defensores do impeachment do ministro Alexandre de Moraes, renunciou ao mandato nesta quarta-feira (11) para assumir o cargo de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de Roraima (TCE-RR). Em seu lugar entra a suplente Roberta Acioly (Republicanos-RR), enfermeira e cirurgiã-dentista nascida em Santo André (SP).
“O Senado não pode se calar quando um Poder ultrapassa seus limites. Faço isso com responsabilidade e coragem, como sempre fiz”, justificou Mecias. O senador deixa a Casa Legislativa num momento delicado para o país, quando o Banco Master e o papel do STF no caso dominam o debate nacional. Seu filho, o ministro do TCU Jhonatan de Jesus, é o relator da auditoria sobre a liquidação do Banco Master pelo Banco Central — o que torna a movimentação da família ainda mais estratégica.
A saída de Mecias abre uma disputa ferrenha pela vaga no TCU deixada pelo ministro Aroldo Cedraz. Na corrida estão: o deputado Hélio Lopes (PL-RJ), apoiado pelo PL; o deputado Odair Cunha (PT-MG), empurrado pelo PT com o aval do presidente da Câmara Hugo Motta; e a deputada Adriana Ventura (Novo-SP), que integra a CPMI do INSS e votou pela quebra de sigilo do filho do presidente Lula. A escolha vai definir o perfil do órgão de controle num período em que o TCU ganhou protagonismo histórico.
TCU: o novo campo de batalha política
Com o caso Master, o Tribunal de Contas da União deixou de ser uma instituição técnica para virar um campo de disputa política de primeiro nível. O órgão analisa, além da liquidação do Master, um pedido de afastamento do presidente do IBGE e uma representação que aponta abusos do STF na condução de inquéritos. Quem sentar na cadeira vaga terá poder real para fiscalizar — ou blindar — os poderosos de Brasília.