A guerra entre os EUA e o Irã no Oriente Médio deixou de ser um conflito distante e já chegou com força nos postos de combustível do Brasil. O preço médio do diesel S-10 subiu 7,72% na primeira semana de março, passando de R$ 6,22 para R$ 6,70 por litro. O diesel comum avançou 6,10%, atingindo R$ 6,52 por litro.
Os dados são do Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL), divulgados nesta quinta-feira (12). O levantamento compara a primeira semana de março com os últimos sete dias de fevereiro.
Petróleo ultrapassou US$ 100 o barril
A disparada nos postos acompanha o avanço do petróleo no mercado internacional. Na segunda-feira (9), o barril chegou próximo de US$ 120, recuando nos dias seguintes para cerca de US$ 90, mas ainda em patamares historicamente elevados.
32 países lançaram a maior liberação de reservas estratégicas de petróleo da história para tentar contornar o bloqueio iraniano no Estreito de Ormuz, pelo qual passa cerca de 20% do petróleo mundial. O Irã já destruiu ou danificou dezenas de navios na região, segundo o governo Trump.
Nordeste sofre mais: diesel a R$ 7,22
A região Nordeste registrou o maior impacto, com alta de 13,17% no diesel S-10. O preço médio chegou a R$ 7,22 por litro. Os estados com combustível mais caro são:
- Rondônia: diesel S-10 a R$ 7,90/litro (maior do país)
- Roraima: diesel comum a R$ 7,84/litro
- Nordeste: média de R$ 7,22/litro
Petrobras ainda não anunciou reajuste oficial
Os preços nos postos já subiram mesmo sem reajuste oficial da Petrobras nas refinarias. A estatal costuma aguardar a estabilização do mercado antes de tomar decisões — mas a pressão cresce a cada dia.
A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) já solicitou investigação sobre eventuais abusos nos preços. Especialistas alertam que o impacto indireto na inflação pode ser significativo, já que o diesel é o principal combustível do transporte rodoviário de cargas no Brasil.
Por que o diesel sobe antes da gasolina?
“Quando há uma alta mais forte no preço do petróleo, é comum que os primeiros efeitos apareçam no diesel. Como ele é o principal combustível do transporte rodoviário de cargas, qualquer aumento de custo tende a se refletir rapidamente nesse mercado”, explicou Vinicios Fernandes, diretor de frete da Edenred Mobilidade.
O aumento no diesel afeta diretamente o custo de transporte de alimentos, produtos industrializados e matérias-primas — ou seja, tudo fica mais caro para o consumidor final.
Fontes: G1/Globo, CNN Brasil, Gazeta do Povo