O relatório final da CPMI do INSS, com mais de 5 mil páginas, começou a ser lido na tarde desta sexta-feira (27) e trouxe revelações bombásticas: altos escalões do governo federal são apontados como participantes ativos no encobrimento do esquema que desviou mensalidades de aposentados e pensionistas.
O que diz o relatório
O relator, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), afirmou que a CPMI identificou investigados que “habitavam os altos andares do poder econômico e político”:
- Um senador da República é descrito pela Polícia Federal como “liderança e sustentáculo do esquema”
- Ministros de Estado que “ora incentivavam e ora encobriam o assalto a aposentados”
- Presidentes do INSS e diretores de benefício com nomes em planilha de propina de operadores financeiros
- Deputados federais e servidores que negociavam percentuais sobre o produto do crime
R$ 40 bilhões movimentados
Segundo o relatório, operadores do esquema movimentaram quase R$ 40 bilhões com o apoio de fintechs e empresas de fachada “por anos”, enquanto assinavam atos administrativos com aparência de plena regularidade.
228 indiciados
O documento propõe o indiciamento de ao menos 228 pessoas. O presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), informou que a votação final pode ocorrer ainda nesta sexta-feira, com possibilidade de sessão extra no sábado (28) — último dia regimental da comissão.
STF cortou o prazo
A comissão foi forçada a encerrar após o STF rejeitar, por 8 votos a 2, a prorrogação dos trabalhos — derrubando a liminar do ministro André Mendonça que estenderia as investigações por mais 60 dias. A decisão gerou forte reação de parlamentares de oposição.
Após a votação, o relatório será encaminhado ao Ministério Público, à Polícia Federal e a outros órgãos para análise e eventual abertura de investigações.
Fontes: Gazeta do Povo, CNN Brasil, G1/Globo