O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin — ex-advogado pessoal do presidente Lula — foi sorteado na noite desta quarta-feira (11) como novo relator da ação que exige a instalação de uma CPI para investigar o Banco Master na Câmara dos Deputados.
Como Zanin assumiu o caso
O caso havia sido distribuído inicialmente ao gabinete de Dias Toffoli, que se declarou suspeito por “motivo de foro íntimo” — sem explicar as razões. Com o afastamento, o processo foi redistribuído por sorteio e caiu para Zanin. O pedido foi apresentado pelo deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), que acusa o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), de se omitir na instalação da CPI.
Motta já declarou publicamente que o requerimento da CPI do Master deve permanecer no final da fila, sem tratamento preferencial. O STF terá agora de decidir se obriga ou não a Câmara a pautar a comissão.
A incógnita Zanin
A chegada do caso a Zanin gerou reações opostas no Congresso. Uma ala comemorou a saída de Toffoli — visto como próximo demais de Daniel Vorcaro — mas ficou apreensiva com o novo relator. Zanin foi o advogado que defendeu Lula por anos durante a Operação Lava Jato, e sua imparcialidade é questionada por parlamentares de oposição.
“Saímos do mau para o péssimo”, resumiu um parlamentar ouvido pela CNN Brasil. A ala do Congresso que havia comemorado a suspeição de Toffoli agora teme que Zanin bloqueie a CPI por decisão monocrática.
O que está em jogo
A CPI do Master é uma das principais demandas da oposição para investigar:
- As fraudes no mercado financeiro atribuídas ao banco
- Relações entre Vorcaro, ministros do STF e figuras do centrão
- A origem dos recursos que financiaram festas milionárias envolvendo Moraes e Toffoli em Londres
- Transferências de R$ 707 milhões para offshores nas Ilhas Cayman
O inquérito principal no STF segue sob relatoria de André Mendonça, que determinou a prisão de Vorcaro. A Segunda Turma deve analisar na sexta-feira (13) a manutenção da prisão do banqueiro.
Pressão cresce no Congresso
Enquanto o STF decide os próximos passos, senadores da oposição protocolaram pedidos de CPI para investigar os próprios ministros do Supremo envolvidos no escândalo. O senador Eduardo Viana (PL) afirmou que a presença de Vorcaro na CPMI do INSS é “questão de honra”, pressionando o ministro Mendonça a liberar o depoimento do banqueiro.
Fontes: Gazeta do Povo, CNN Brasil, G1/Globo