VORCARO TROCA DE ADVOGADO E ABRE CAMINHO PARA DELAÇÃO: STF mantém prisão e especialista em acordos assume defesa do banqueiro do Master
Daniel Vorcaro, preso desde o dia 4 de março por ordem do ministro André Mendonça, deu nesta sexta-feira (13) um sinal claro de que pode estar preparando uma colaboração premiada. O banqueiro do Master trocou seu advogado de defesa: saiu Pierpaolo Bottini, entrou José Luís Mendes de Oliveira Lima — criminalista com histórico direto em delações da Lava Jato e do mensalão.
Quem é o novo advogado?
Lima é um nome pesado no direito criminal brasileiro. Ele atuou na delação premiada de Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, na Operação Lava Jato — o mais sofisticado mecanismo de colaboração processual da história recente do país. Também defendeu o ex-ministro José Dirceu no mensalão e, mais recentemente, o general Walter Braga Netto no inquérito do golpe. Contratar um especialista em acordos de colaboração não é coincidência — é estratégia.
STF mantém Vorcaro na cadeia
Nesta mesma sexta, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal confirmou a prisão preventiva de Vorcaro por maioria de votos. O ministro André Mendonça, relator do caso, obteve a adesão de Kassio Nunes Marques e Luiz Fux. A decisão abarca também a prisão de Fabiano Zettel (cunhado de Vorcaro) e Marilson Roseno (ex-policial acusado de integrar milícia privada), além da suspensão de quatro empresas do grupo. Com a prisão mantida, a pressão para cooperar cresce.
PGR e STF podem tentar barrar a delação
Especialistas alertam que, mesmo se Vorcaro fechar acordo, ele passará pelo crivo do STF — que pode não homologar ou impor sigilo amplo. O constitucionalista Alessandro Chiarottino é direto: Estamos nas mãos dessas pessoas. A preocupação é real: Gilmar Mendes, aliado de Moraes e Toffoli, pode tentar levar o caso ao plenário presencial e reiniciar a votação. O PGR Paulo Gonet, próximo de Mendes, também pode ser um obstáculo.
O que Vorcaro pode revelar?
O Caso Master envolve suspeitas de desvios bilionários, ligações com ministros do próprio STF (incluindo empresa de Toffoli) e pagamentos a figuras políticas. Uma delação bem-sucedida poderia abalar estruturas do poder no Brasil. Por isso, os mesmos que deveriam garantir a investigação têm tanto interesse em controlá-la.
- Novo advogado de Vorcaro é especialista em delações premiadas
- STF manteve prisão preventiva por maioria na 2ª Turma
- Gilmar Mendes pode tentar reabrir votação na semana que vem
- PGR e STF detêm poder de bloquear ou esvaziar eventual acordo
Fontes: Gazeta do Povo, Jovem Pan