VORCARO E MORAES: O DIA A DIA DA TRAMA — mensagens, reuniões e a tentativa de fuga revelam esquema
A Gazeta do Povo revelou o cronograma minuto a minuto do dia 17 de novembro de 2025 — o dia mais agitado da vida do banqueiro Daniel Vorcaro, preso pela Polícia Federal enquanto tentava embarcar para os Emirados Árabes Unidos. Em questão de horas, o dono do liquidado Banco Master anunciou a venda do banco, participou de reunião com o Banco Central e trocou mensagens com o ministro do STF Alexandre de Moraes, segundo registros periciados pela PF.
As mensagens foram recuperadas de um aplicativo incomum: Vorcaro escrevia os textos, fotografava e enviava as imagens com visualização única pelo WhatsApp. Moraes, segundo os registros, usava a mesma estratégia. Como as fotos desaparecem após serem visualizadas, as supostas respostas do ministro não ficaram no aparelho — mas os rascunhos de Vorcaro permaneceram armazenados. Às 7h19, o banqueiro relatou ao interlocutor — identificado como Moraes — que tentava antecipar a venda do Master e mencionou suspeita de vazamento de informações sigilosas sobre o caso.
Às 8h16, o interlocutor respondeu com mensagem de visualização única, cujo conteúdo permanece desconhecido. No mesmo período, representantes de Vorcaro pressionavam para fechar a venda de uma cobertura triplex de R$ 60 milhões no Itaim Bibi. O ministro Moraes nega qualquer contato com o banqueiro e classifica os registros como “ilação mentirosa”. Mas as versões seguem desmoronando — e o caso agora está nas mãos do ministro André Mendonça, que terá de decidir o destino do inquérito no STF.
O que dizem as mensagens
- 7h19: Vorcaro relata tentativa de antecipar venda do Master a possível interlocutor no STF
- 8h16: Resposta com mensagem de visualização única — conteúdo não recuperado
- 11h08: Site pago por Vorcaro publica reportagem sobre o caso para tentar pautar a narrativa
- Noite: PF efetua prisão no aeroporto — viagem para fechar negócio com investidores árabes é abortada
O escândalo Master vai muito além de fraude bancária. O que está em julgamento é a confiança nas instituições — e o cidadão trabalhador que tinha dinheiro aplicado nesses papéis quer saber quem, afinal, garantiu que o esquema funcionasse por tanto tempo.