Toffoli sob pressão: resort ligado ao ministro renegociou empréstimo do Bradesco 5 vezes com juros abaixo do mercado — e o dinheiro passa pelo Master
Uma nova revelação aprofunda o escândalo que envolve o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF). Reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, repercutida neste domingo pela Gazeta do Povo, mostra que o resort Tayayá — empreendimento do qual Toffoli foi sócio até o ano passado — renegociou por cinco vezes um empréstimo de R$ 20,4 milhões junto ao Bradesco, sempre com condições especiais: sem multas por atraso e com juros prefixados de 6,5% ao ano, bem abaixo da taxa praticada pelo mercado para pessoas jurídicas (10,5%, segundo a Febraban).
A cronologia do favor bancário
O empréstimo foi contratado em dezembro de 2016, com prazo original de três anos. De lá para cá, o saldo devedor — hoje em R$ 7,1 milhões — foi prorrogado sucessivamente. A última renegociação foi registrada em outubro de 2024, quando Toffoli ainda constava como sócio do Tayayá. O vencimento foi estendido até julho de 2026.
O nó com o Banco Master e Vorcaro
O caso ganha contornos ainda mais graves: parte da participação de Toffoli no Tayayá foi vendida a um fundo ligado a Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, preso há semanas. A operação envolveu R$ 35 milhões. O fundo Leal, veículo da transação, tinha como único cotista Fabiano Zettel — cunhado de Vorcaro.
Toffoli admitiu ter sido sócio do Tayayá, mas negou ter recebido dinheiro do Master. O STF afirmou que o ministro declarou impedimento em processos do Bradesco — mas apenas entre 2016 e 2018. Após 2021, quando voltou a ser sócio formal, Toffoli teria julgado demandas do banco sem se declarar impedido, de acordo com o Estadão.
O que está em jogo
- Empréstimo de R$ 20,4 mi renegociado 5 vezes, com juros subsidiados (6,5% vs 10,5% de mercado)
- Conexão direta com Vorcaro via fundo Leal (R$ 35 mi)
- Toffoli julgou processos do Bradesco após 2021 sem declarar impedimento
- Escândalo se soma ao caso Moraes-Vorcaro, corroendo a credibilidade do STF
Fontes: Gazeta do Povo, O Estado de S. Paulo