O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), divulgou nota neste domingo (8) negando que tenha frequentado a casa do banqueiro Daniel Vorcaro em Trancoso, na Bahia. Mas a nota, mais do que esclarecer, abriu uma série de novas lacunas — e o cidadão brasileiro fica sem resposta para perguntas que não podem ser ignoradas.
O que a nota não explica
O gabinete do ministro afirmou que “é integralmente falsa” a informação publicada pelo blog de Lauro Jardim, do jornal O Globo, sobre viagens particulares. Ocorre que a nota trata apenas de viagens e não informa se Moraes já esteve com Vorcaro em outros contextos. Para piorar, peritos da Polícia Federal, ouvidos sob anonimato pelo Estadão, contradisseram diretamente a explicação técnica apresentada pelo ministro sobre os prints de mensagens encontrados nos arquivos da investigação.
As perguntas que o STF se recusa a responder
- Moraes não nega ter conversado com Vorcaro no dia da prisão do banqueiro (17/11/2025). Sobre qual tema conversaram?
- Por que o ministro usou mensagens de visualização única — que somem após serem abertas — para se comunicar com Vorcaro?
- Por que um ministro do STF tinha contato pelo WhatsApp com um empresário cujo banco já era investigado pela PF?
- O escritório da esposa de Moraes, Viviane Barci, fechou contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master. Há conflito de interesses?
- Quem realizou a análise técnica dos dados telemáticos do banqueiro citada pela nota do STF?
- Como o ministro teve acesso a material que estava sob sigilo para proceder à análise?
- O emoji de “joinha” enviado por Moraes como resposta à última mensagem de Vorcaro: a que se referia?
- Por que os prints de blocos de notas de Vorcaro têm horários coincidentes com o envio das mensagens para Moraes naquele dia?
O escândalo vai muito além de uma viagem a Trancoso. Está em jogo a credibilidade de um tribunal que se coloca acima de qualquer fiscalização. O trabalhador brasileiro que paga imposto para sustentar o STF merece respostas, não notas de assessoria de imprensa.