STF E PGR PODEM ENTERRAR A DELAÇÃO DE VORCARO: Especialistas alertam que o sistema pode barrar revelações comprometedoras
A possibilidade de uma delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro, preso desde 4 de março por ordem do ministro André Mendonça, ganhou fôlego após o STF manter sua prisão preventiva na última sexta-feira (13). Mas especialistas alertam que o caminho para que as revelações cheguem ao público é tortuoso — e passa obrigatoriamente pelo crivo da Procuradoria-Geral da República (PGR) e do próprio Supremo.
“Estamos nas mãos dessas pessoas”, resume o constitucionalista Alessandro Chiarottino, ao apontar que tanto a PGR quanto o STF possuem instrumentos para limitar o alcance das investigações e blindar eventuais nomes poderosos. A situação é ainda mais delicada porque o nome do procurador-geral Paulo Gonet aparece numa seletíssima lista de autoridades que participaram de uma degustação de uísque em Londres, bancada pelo próprio Vorcaro em 2024, ao custo de cerca de R$ 3 milhões. Dois ministros do STF também constam dessa lista.
O novo advogado de Vorcaro, José Luís Mendes de Oliveira Lima — que já defendeu José Dirceu no mensalão e o general Braga Netto — é especialista em delações premiadas, o que sinaliza que o banqueiro quer negociar. Mas mesmo que o acordo seja firmado, ele precisa ser homologado pelo STF. Ali, ministros como Gilmar Mendes, aliado histórico de Moraes e Toffoli, podem tentar levar o caso ao plenário presencial e reiniciar o julgamento. Para o cidadão comum, a lição é clara: quando o investigado tem dinheiro e conexões suficientes, até a Justiça pode virar obstáculo para a Justiça.