OPERAÇÃO ABAFA: Motta e Alcolumbre esvaziam Congresso com votações virtuais para esfriar escândalo do Master
No momento em que o escândalo do Banco Master atinge seu pico — com revelações sobre pagamentos milionários ao escritório da mulher de Alexandre de Moraes e a políticos de peso como ACM Neto — os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), articularam um calendário de votações virtuais que esvazia fisicamente o Congresso por semanas. Nos bastidores, parlamentares chamam o movimento de “Operação Abafa”.
O acordo prevê três semanas de votações remotas pelo sistema Infoleg na Câmara, com apenas uma semana presencial entre 16 e 20 de março. No Senado, o modelo semipresencial reduz o ritmo de articulações em torno das investigações parlamentares. Na prática, o arranjo congela os debates sobre o escândalo no plenário e nas comissões justamente quando novos nomes e fatos chegam à tona todos os dias.
Para completar, o projeto que regulamentaria melhor a resolução bancária — uma resposta direta às fragilidades expostas pelo caso Master — foi retirado da pauta da Câmara após pressão de parlamentares que consideraram o timing “inoportuno”. A janela partidária, aberta até 3 de abril, serve como pretexto adicional para que deputados permaneçam longe de Brasília. O trabalhador brasileiro, que tem seu dinheiro depositado no sistema financeiro, fica sem respostas enquanto a classe política se esquiva.