MICHELLE ASSUME O DF: Com Ibaneis afundado no caso Master, ex-primeira-dama vira principal articuladora da direita no Distrito Federal
A crise do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), provocada pelo envolvimento do governo do DF no escândalo do Banco Master, abriu caminho para uma virada política silenciosa: Michelle Bolsonaro (PL) assumiu o posto de principal liderança articuladora da direita no Distrito Federal.
Antes do caso Master, Ibaneis era considerado nome forte para uma disputa ao Senado em 2026. Reeleito com mais de 50% dos votos válidos no primeiro turno em 2022, o governador era uma das referências da centro-direita brasiliense. Agora, enfraquecido pelo escândalo financeiro e em conflito com a própria base na Câmara Legislativa, Ibaneis vê sua influência evaporar. E Michelle avança no espaço que ele deixa.
A ex-primeira-dama consolida sua posição como cabo eleitoral central do PL no DF. Ela própria deve concorrer ao Senado ao lado da deputada federal Bia Kicis, formando uma chapa puro-sangue do partido. Além disso, Michelle patrocina a candidatura de Celina Leão (PP), vice-governadora e amiga pessoal, ao Governo do DF — uma escolha que divide o PL local, já que o nome de Celina está inevitavelmente associado ao de Ibaneis. Nos bastidores, aliados da família contam que Michelle acompanhou com satisfação o declínio do governador, que era visto como concorrente na disputa pela influência política local.
Valdemar dá carta branca a Michelle
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, optou por não contrariar a ex-primeira-dama. Segundo parlamentares, ele lavou as mãos em relação ao imbróglio e colocou o Distrito Federal sob a responsabilidade de Michelle. Ao mesmo tempo, liberou congressistas para apoiarem outros candidatos — especialmente o ex-governador José Roberto Arruda (PSD), preferido entre os parlamentares do PL local — caso a questão da chapa ao governo não se resolva.
O cenário político no DF para 2026 ainda está embolado. A inelegibilidade de Arruda por condenação em improbidade administrativa é uma incógnita. Mas uma coisa está clara: o vácuo deixado por Ibaneis foi preenchido, e quem ocupa esse espaço é Michelle Bolsonaro.