Mendonça abre inquérito sobre vazamento de dados de Vorcaro; bastidores do STF dizem que nota de Moraes não convence
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou na última sexta-feira (6) que a Polícia Federal (PF) instaure um inquérito para apurar o vazamento de dados sigilosos do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, preso por ordem do próprio STF.
A decisão atende a pedido da defesa de Vorcaro. Segundo os advogados, informações extraídas dos celulares do banqueiro — obtidas a partir de quebra de sigilo autorizada no âmbito da CPMI do INSS — teriam sido divulgadas pela imprensa de forma indevida.
Inquérito não pode atingir jornalistas
Na decisão, Mendonça deixou claro que a investigação não pode atingir jornalistas nem violar o sigilo de fontes. O foco deve recair sobre os agentes que tinham acesso formal ao material sigiloso e podem ter permitido o vazamento.
“A eventual quebra de sigilo de dados relativos à pessoa investigada não autoriza o seu desvelamento. Bem ao contrário, enseja, pela autoridade que recebeu a informação acesso restrito, a responsabilidade pela manutenção do sigilo”, afirmou o ministro na decisão.
Bastidores do STF: nota de Moraes ‘não convence’
Nos bastidores do tribunal, cresce o desconforto com a postura do ministro Alexandre de Moraes. Segundo a CNN Brasil, integrantes da Corte avaliam que a nota divulgada por Moraes — negando contato com Vorcaro no dia da prisão — é “pouco esclarecedora”. Um ministro ouvido em reserva disse que “a emenda saiu pior que o soneto”.
A preocupação aumenta com o fato de que a nota não esclarece com precisão se houve ou não contato entre Moraes e Vorcaro, mencionando apenas uma “análise técnica” sem identificar seus autores.
Transferência para Brasília e pressão por delação
Ministros do STF também enxergam na transferência de Vorcaro para presídio federal em Brasília um sinal de pressão da PF para que o banqueiro feche acordo de delação premiada. A PF já apreendeu mais três celulares do empresário na segunda prisão.
A defesa de Vorcaro pediu ao ministro André Mendonça que eventuais conversas do banqueiro na prisão não sejam gravadas.
Viviane de Moraes nega envolvimento
A advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, negou ter recebido “prints” ou mensagens de Vorcaro. Ela admitiu, porém, que seu escritório manteve um contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master por três anos.
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Fontes: CNN Brasil, Gazeta do Povo, G1