🇺🇸 EUA Ampliam Pressão sobre o Brasil: Dois Relatórios Americanos Criticam Moraes, STF e Citam Família Bolsonaro
Os Estados Unidos intensificaram a pressão sobre o Brasil com a divulgação de dois relatórios oficiais que criticam diretamente o ambiente judiciário e comercial brasileiro, citando decisões do ministro Alexandre de Moraes e os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Relatório Comercial: Brasil no Alvo do USTR
Na quarta-feira (1º de abril), o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) divulgou um relatório que aponta uma série de entraves enfrentados por empresas americanas no Brasil. O documento é parte de uma investigação com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA — instrumento que pode resultar em tarifas e sanções comerciais contra o país.
Entre as críticas levantadas pelo governo americano:
- Tarifas elevadas a produtos estrangeiros e sistema tributário considerado “pouco previsível”
- Propostas legislativas que podem impactar plataformas digitais e empresas internacionais
- Circulação de produtos falsificados e pirateados
- Preocupação com possível tratamento preferencial ao Pix, que poderia prejudicar empresas estrangeiras de pagamentos digitais
Relatório Judiciário: EUA Acusam Moraes de “Censura com Alcance Global”
Paralelamente, o Comitê Judiciário da Câmara dos Representantes dos EUA acusou o Judiciário brasileiro de impor um “modelo de censura com alcance global”.
O documento aponta que decisões do ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinaram a remoção de conteúdos e contas em redes sociais com alcance internacional, atingindo inclusive usuários residentes nos Estados Unidos. Segundo o relatório, diversas dessas ordens envolveram conteúdos de natureza política, incluindo críticas ao STF, e podem afetar a liberdade de expressão protegida pela Constituição americana.
O texto cita nominalmente a família Bolsonaro como alvos das ações de Moraes:
- Eduardo Bolsonaro — que reside nos EUA — teria sido alvo de medidas que limitam sua atuação nas redes sociais
- Flávio Bolsonaro é citado sob a avaliação de que as decisões do ministro podem impactar o debate público no Brasil às vésperas das eleições de 2026, ao atingir opositores e restringir sua presença digital
Departamento de Estado Manifesta “Sérias Preocupações”
O Departamento de Estado dos EUA também manifestou “sérias preocupações” com decisões judiciais que restringem a liberdade de expressão e o acesso à informação no Brasil. O órgão citou possíveis ações do governo Lula que estariam suprimindo opiniões políticas desfavoráveis sem o devido processo legal.
Eduardo Bolsonaro afirmou que as manifestações americanas demonstram que os EUA estão “atentos à perseguição e censura no Brasil” e que o endosso do secretário de Estado Marco Rubio ao relatório mostra preocupação com o pleito eleitoral de 2026.
Risco de Sanções e Tensão Crescente com o Governo Lula
Segundo o estrategista internacional Cezar Roedel, há uma “janela de possíveis medidas e sanções comerciais” por parte dos EUA contra o Brasil. O avanço da investigação do USTR, somado às críticas sobre liberdade de expressão, tende a dificultar ainda mais o relacionamento entre os governos Lula e Trump.
O cenário é agravado pelo atual alinhamento do governo Lula com Irã, Rússia e China, o que aumenta o atrito com Washington. O encontro entre Lula e Trump, ainda sem data confirmada, deve ocorrer em um ambiente de tensão crescente.
📰 Fontes: Gazeta do Povo, G1/Globo, Metrópoles