ESCÂNDALO TOFFOLI: Resort ligado ao ministro do STF renegociou empréstimo 5 vezes com juros abaixo do mercado
Um resort ligado ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli obteve condições especiais do Bradesco para renegociar um empréstimo de R$ 20,4 milhões por cinco vezes entre 2016 e 2024, com juros muito abaixo do praticado pelo mercado. A revelação é do jornal O Estado de S. Paulo e acende mais um alerta sobre o envolvimento de magistrados do STF em situações que levantam suspeitas de favorecimento.
As condições suspeitas do empréstimo
O empréstimo foi contratado em dezembro de 2016, por meio da DGEP Empreendimentos — incorporadora do resort Tayayá, fundada por um primo e um amigo de Toffoli. O ministro tornou-se sócio da empresa em 2021, por meio de sua holding Maridt S.A. Seus irmãos, o engenheiro José Eugênio e o padre José Carlos Dias Toffoli, aparecem como dirigentes.
A operação foi renegociada cinco vezes ao longo de oito anos. A última renegociação, registrada em outubro de 2024 — quando Toffoli ainda era sócio —, estendeu o vencimento do saldo de R$ 7,1 milhões para julho de 2026, com isenção de multas e juros prefixados de apenas 6,5% ao ano.
Juros muito abaixo do mercado
Para efeito de comparação, a taxa de juros cobrada pelo mercado para financiamento imobiliário de pessoas jurídicas no primeiro semestre de 2024 era de 10,5% ao ano, segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) — da qual o próprio Bradesco faz parte. Ou seja, o resort ligado a Toffoli pagou 38% menos juros do que o praticado para qualquer outro tomador similar.
Toffoli julgou casos do Bradesco mesmo após 2018
O STF afirma que o ministro declarou impedimento para julgar processos do Bradesco. No entanto, o Estadão apurou que Toffoli participou de decisões envolvendo o banco após 2018, mesmo com o empréstimo ativo em seu nome.
- Empréstimo de R$ 20,4 milhões contratado em 2016
- Cinco renegociações em oito anos — sem multas
- Juros de 6,5% a.a. contra 10,5% a.a. do mercado
- Toffoli entrou na sociedade em 2021; saiu do resort no ano passado
- Dívida ainda não quitada — vence em julho de 2026
STF nega irregularidades
A assessoria do STF afirmou que o ministro não esteve envolvido no empréstimo ou em seus aditamentos, e que todos os investimentos estão declarados à Receita Federal. O Bradesco não se pronunciou, alegando sigilo bancário.