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POLíTICA

DELAÇÃO DE VORCARO PODE SER BARRADA: PGR e STF têm instrumentos para enfraquecer acordo — constitucionalistas alertam para concentração de poder institucional

DELAÇÃO DE VORCARO PODE SER BARRADA: PGR e STF têm instrumentos para enfraquecer acordo — constitucionalistas alertam para concentração de poder institucional

A possibilidade de uma delação premiada de Daniel Vorcaro cresceu após a Segunda Turma do STF manter sua prisão preventiva nesta sexta-feira (13). Mas especialistas alertam: mesmo que o banqueiro do Master decida colaborar, o processo passará pelo crivo da Procuradoria-Geral da República (PGR) e do próprio STF — dois atores que podem barrar ou esvaziar o alcance das revelações.

O alerta dos especialistas

“Antes de mais nada, o STF pode não homologar a delação, assim como pode também se decidir por um sigilo amplo. Estamos nas mãos dessas pessoas”, alertou o constitucionalista Alessandro Chiarottino à Gazeta do Povo.

O jurista reforçou que a arquitetura institucional da Justiça concentra enorme poder decisório nessas instituições: “Tanto a PGR quanto o STF possuem instrumentos capazes de influenciar o alcance das investigações, de uma delação. Isso se soma à pressão da classe política, que promete ser intensa”, afirmou.

Novo advogado especialista em delações

Na sexta-feira (13), José Luís Mendes de Oliveira Lima assumiu a defesa de Vorcaro no lugar de Pierpaolo Bottini. Lima tem histórico relevante: atuou na delação de Léo Pinheiro (OAS) na Lava Jato e defendeu ex-ministros José Dirceu (mensalão) e Walter Braga Netto (tentativa de golpe).

A troca é lida no meio jurídico como sinalização de que negociações para um acordo de colaboração estão sendo seriamente consideradas.

STF mantém prisão — e aumenta pressão

O ministro André Mendonça, relator do caso, obteve maioria rápida na Segunda Turma para manter a prisão preventiva de Vorcaro, decretada em 4 de março. Kassio Nunes Marques e Luiz Fux aderiram ao voto.

Além de Vorcaro, a decisão manteve presos Fabiano Zettel (cunhado e operador do banqueiro) e Marilson Roseno (ex-policial acusado de integrar milícia privada), com quatro empresas suspensas por pagamentos suspeitos.

O prolongamento da prisão aumenta a pressão sobre Vorcaro para fechar acordo de colaboração premiada — mas o caminho ainda passa pelos mesmos atores que ele poderia delatar.

O que está em jogo

  • Caso Master envolve suposto esquema de desvio de recursos públicos via banco
  • Possível delação pode atingir figuras políticas do campo progressista
  • PGR pode rejeitar ou limitar o acordo antes mesmo de chegar ao STF
  • STF pode homologar com sigilo amplo, reduzindo impacto público
  • Pressão política promete ser intensa, segundo especialistas

Fontes: Gazeta do Povo, G1/Globo, Jovem Pan

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