⛽ CRISE DO DIESEL NO CAMPO: Produtor paga R$7 por litro e fica na fila de espera — colheita de arroz e soja ameaçada no RS e PR
A crise do diesel chegou com força total ao campo brasileiro. Produtores rurais do Rio Grande do Sul e do Paraná relatam preços abusivos, listas de espera e até falta total do combustível nas regiões agrícolas — exatamente no pico da colheita de arroz e soja, em março de 2026.
De R$5 para R$7 o litro — em uma semana
O produtor de arroz Fernando Rechsteiner, de Pelotas (RS), relatou que até a semana passada não havia preocupação com o abastecimento. “Fui fazer um pedido e fui colocado em lista de espera. Estava pagando R$5 o litro e já subiu para R$7”, disse. Alta de 40% em poucos dias.
No Paraná, a situação é igualmente grave. O técnico do Sistema FAEP confirmou falta de diesel desde terça-feira em Rio Azul, Faxinal, Guarapuava, Prudentópolis e Irati. Em Erechim (RS), 20% dos produtores enfrentam dificuldades, com alta de preço entre 20% e 55%.
Por que está faltando diesel?
A escassez começou logo após o início do conflito entre EUA, Israel e Irã, que disparou o preço do petróleo para US$ 100 o barril. A Petrobras ainda não reajustou preços oficialmente no Brasil, mas o diesel já subiu 7% nos postos nos primeiros dias de março.
O problema está na cadeia de distribuição: os pequenos transportadores rurais (TRRs) — que entregam diesel diretamente nas fazendas — operam como clientes “spot” e ficam no final da fila das distribuidoras. Com especulação de alta, distribuidoras estão retendo o estoque comprado a preços antigos para revender mais caro.
“O diesel que está saindo das distribuidoras foi comprado com petróleo abaixo de US$ 60. O sujeito segura o produto para vender 50% mais caro. Isso é especulação”, disse Antônio Luz, economista-chefe da Farsul.
Governo tenta conter o incêndio
O governo Lula anunciou subsídio de R$0,32 por litro e a Petrobras aderiu ao programa. Mas produtores dizem que a medida ainda não chegou ao campo — e que de nada adianta subsídio se não há combustível disponível para comprar.
A Agência Nacional do Petróleo (ANP) afirma que “não há registro de falta de combustível no país” — declaração que contrasta com os relatos em cascata vindos do Sul do Brasil.
Colheita em risco
- RS e PR são os maiores estados produtores de arroz e soja do país
- Máquinas agrícolas e transporte dependem 100% do diesel
- Atraso na colheita pode gerar perdas bilionárias ao agronegócio
- Preço dos alimentos deve subir se a produção for afetada
Fontes: G1/Globo, Gazeta do Povo, Jovem Pan/CNA