CPMI DO INSS: STF blinda investigados — Dino derruba oitiva de Leila, Mendonça libera banqueiro e Congresso reage
A CPMI do INSS enfrenta uma ofensiva coordenada do Supremo Tribunal Federal que está travando sistematicamente as investigações sobre o escândalo do Banco Master. Nesta quarta-feira (11/3), dois ministros do STF agiram para impedir que investigados prestassem esclarecimentos ao Congresso Nacional.
Dino derruba depoimento de Leila Pereira
O ministro Flávio Dino suspendeu os efeitos de requerimentos aprovados em bloco pela CPMI, o que foi usado pela defesa da presidente do Palmeiras, Leila Pereira, para justificar sua ausência na sessão. A empresária, convocada para prestar esclarecimentos, simplesmente não apareceu, amparada na decisão liminar do magistrado do STF.
O presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), não escondeu a indignação. “A decisão que impede o comparecimento da convocada à CPMI causa profunda perplexidade. O Parlamento brasileiro exerce uma função constitucional de fiscalização e investigação em nome da sociedade”, declarou. Viana anunciou a reconvocação de Leila para o dia 18 de março e prometeu avançar nas investigações com todos os instrumentos constitucionais disponíveis.
Mendonça libera banqueiro de depor
Também nesta quarta-feira, o ministro André Mendonça tornou facultativa a presença do banqueiro Augusto Ferreira Lima — ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master — na comissão. Mendonça ainda assegurou ao empresário o direito de ficar em silêncio, ter advogado ao lado e dispensar o compromisso de dizer a verdade. Ferreira Lima havia sido preso preventivamente na Operação Compliance Zero, em novembro de 2025, por suspeitas de fraudes financeiras. Para o senador Viana, as decisões individuais do STF representam “interferência no trabalho do Parlamento” e atrasam a apuração de irregularidades que afetam diretamente o trabalhador brasileiro que depende do INSS.
Congresso contra-ataca
- Leila Pereira reconvocada para 18 de março
- Viana marcou reunião com Mendonça para pedir revisão da medida
- CPI do Crime aprovou convocações de ex-dirigentes do Banco Central
- Fundador da Reag ficou em silêncio quando ouvido pelos parlamentares
O padrão é claro: enquanto o Congresso tenta apurar um dos maiores escândalos financeiros da história recente do Brasil, envolvendo R$ 3,3 bilhões em depósitos de aposentados e pensionistas, o STF cria obstáculos um atrás do outro. O trabalhador brasileiro merece respostas. E o Parlamento não pode se render à intimidação de uma corte que, cada vez mais, age como advogado dos investigados.