A CPMI do INSS realiza nesta sexta-feira (27) a votação do seu relatório final, que deve conter aproximadamente 5 mil páginas e apontar cerca de 228 pessoas para responsabilização pelas fraudes e desvios bilionários contra aposentados e pensionistas brasileiros.
Relatório gigante, prazo esmagador
Com o STF tendo encerrado ontem (26), por 8 votos a 2, qualquer chance de prorrogação da comissão, a oposição se viu forçada a correr contra o relógio. O presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), confirmou que a leitura do relatório ocorre hoje, com tentativa de votação imediata. “Ou votamos o relatório do deputado Alfredo Gaspar, ou não votamos. Não há mais tempo”, admitiu.
O relator Alfredo Gaspar (PL-AL) garantiu que o documento será “técnico e baseado em fatos”, independentemente do cenário político. “Quem quiser, faça sua própria blindagem. Todos que participaram estarão no relatório”, afirmou o deputado.
228 indicados — e Lulinho pode estar na lista
O relatório deve apontar cerca de 228 pessoas para responsabilização, incluindo empresários, operadores financeiros, servidores públicos e possíveis agentes políticos ligados ao esquema de crédito consignado e fraudes contra aposentados.
Entre os possíveis citados está Fábio Luís Lula da Silva, o “Lulinho”, filho do presidente Lula. Ele é investigado pela Polícia Federal por sua relação com Antônio Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, apontado como operador das fraudes. Documentos da PF apontam elo entre Lulinho, o Careca do INSS e viagens à Espanha.
Gaspar: “Grande vitorioso é o sistema financeiro”
Ao deixar o julgamento no STF, o relator Gaspar foi direto: “A decisão de hoje tem um grande vitorioso: o sistema financeiro, que estava sendo escrutinado”. A declaração faz referência direta ao Banco Master e às ligações entre seu dono, Daniel Vorcaro, e ministros do STF — especialmente Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.
O deputado Marcel van Hattem (Novo-RS) foi mais contundente: “Há uma maioria contra o trabalho da CPI e, na prática, contra a investigação da roubalheira dos aposentados”.
O que acontece agora
- A CPMI encerra seus trabalhos até sábado (28)
- O relatório final deve ter aproximadamente 5 mil páginas
- Caso haja pedido de vista, a votação pode ser adiada para sábado
- Parlamentares já articulam mudanças nas regras das CPIs no Congresso
- As investigações continuam na Polícia Federal, sob supervisão do ministro André Mendonça
Contexto: o que a CPMI investigou
A comissão foi instalada em agosto de 2025. Mesmo sob forte obstrução da base governista, prendeu 14 pessoas, tomou dezenas de depoimentos e obteve quase 2 mil documentos. O escândalo envolve descontos ilegais nos benefícios de aposentados, pensionistas e servidores — um rombo estimado em bilhões de reais para os mais vulneráveis do país.
Fontes: Gazeta do Povo, G1/Globo, CNN Brasil