CPMI DO INSS CAMINHA PARA O FIM SEM RESULTADO: STF Travou as Sessões, Oposição Frustrada e Relatório Deve Ter Alcance Limitado
A CPMI que investiga as fraudes no INSS se aproxima do prazo final — 28 de março — sem ter entregado o que prometeu. Com menos de 10 dias para encerrar, a comissão acumula sessões canceladas, derrotas no STF e um clima de bastidores que parlamentares descrevem como “já deu o que tinha que dar”. Quem apostava em respostas, terá que se contentar com um relatório de impacto limitado.
Esta semana foi emblemática: nenhuma das duas sessões previstas aconteceu. O Supremo Tribunal Federal concedeu habeas corpus a depoentes, frustrando a cúpula do colegiado. A cena se repete ao longo dos últimos meses: toda vez que a comissão chegava perto de algo relevante, o STF aparecia para travar. Não é coincidência — é padrão. O resultado é uma investigação que perdeu tração antes de alcançar conclusões sólidas.
O caso do Banco Master também contribuiu para o esvaziamento. Com Vorcaro preso e a CPI do Crime Organizado absorvendo atenção e quórum, a CPMI do INSS virou peça secundária na agenda política. Parlamentares de base governista avaliam que a comissão “cumpriu um papel político” — eufemismo para dizer que serviu para desgastar adversários sem que os próprios aliados fossem comprometidos. Já a oposição denuncia blindagem sistemática e pede prorrogação.
A esperança da prorrogação
A única saída que a cúpula da CPMI ainda vislumbra é uma decisão do ministro André Mendonça sobre um mandado de segurança que poderia postergar as sessões. O presidente Carlos Viana (Podemos-MG) disse ver com “bons olhos” a possibilidade — mas o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, não deu nenhum sinal verde até agora.
O trabalhador que teve seu benefício previdenciário desviado por quadrilhas de consignado merecia respostas. O que vai receber é um relatório final morno, produzido numa comissão que não conseguiu consolidar sequer uma linha investigativa consistente. O STF, mais uma vez, ajudou a garantir que contas importantes não fossem cobradas.