Código-fonte da PF destrói versão de Moraes: programa IPED contradiz argumento do ministro sobre pasta de Vorcaro
Uma descoberta técnica abala ainda mais a versão apresentada pelo ministro Alexandre de Moraes sobre as mensagens encontradas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro. O código-fonte do programa IPED — criado pela própria Polícia Federal e disponível publicamente no GitHub desde 2019 — contradiz diretamente o argumento usado pelo ministro do STF para explicar o porquê de seu nome aparecer nas pastas de arquivos do celular do dono do Banco Master.
O que é o IPED e por que isso importa
O IPED (Indexador e Processador de Evidências Digitais) é o software desenvolvido por peritos da PF a partir de 2012 para organizar e processar dados extraídos de dispositivos eletrônicos. O programa usa um sistema de “indexação baseada em hash” — uma sequência alfanumérica gerada automaticamente — para organizar os arquivos em pastas de forma que sejam acessados com mais rapidez. Essa é uma prática padrão da perícia forense digital.
Moraes havia sugerido que a forma como os arquivos estavam organizados em pastas indicaria uma correlação proposital de conteúdos feita por Vorcaro — tentando minimizar os indícios de que manteve contato direto com o banqueiro preso. Mas especialistas e peritos ouvidos pelo Estadão confirmam: os policiais acessam os dados pela interface do programa, e não manualmente, como o ministro sugeriu. A organização das pastas é automática, não intencional.
STF não comentou; pressão aumenta
Procurado para comentar a descoberta, o STF não se manifestou. A revelação ocorre num momento em que o escândalo Moraes-Vorcaro já repercutiu internacionalmente e alimenta pedidos de impeachment do ministro no Congresso. A esposa de Moraes também contradisse a versão do marido ao negar ter recebido mensagens do banqueiro — enfraquecendo ainda mais a defesa do magistrado. O trabalhador brasileiro tem o direito de saber: quem investiga os investigadores?