Os advogados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) formalizaram pedido ao ministro Alexandre de Moraes para que Darren Beattie, assessor direto do presidente americano Donald Trump, possa visitar Bolsonaro no Complexo da Papuda, em Brasília. Beattie é figura conhecida no círculo bolsonarista e já fez ataques públicos ao STF, acusando Moraes de praticar “censura” e “perseguição” ao ex-presidente e seus apoiadores.
Moraes publicou despacho autorizando visitas de sete pessoas a Bolsonaro até 25 de abril, com datas escalonadas. A lista inclui a deputada federal Caroline de Toni (SC), o governador de Santa Catarina, Jorginho Mello, e os deputados Luciano Zucco e Rodrigo Valadares. O nome de Beattie, no entanto, ainda não consta do rol de visitas autorizadas — a decisão sobre o assessor de Trump ainda está pendente.
Bolsonaro cumpre pena de mais de 27 anos na Papuda, condenado por tentativa de golpe de Estado. A eventual visita de um assessor da Casa Branca ao ex-presidente teria peso simbólico e diplomático considerável, num momento em que a relação entre o governo Lula e a administração Trump atravessa período de tensões, com o presidente americano ameaçando tarifas contra o Brasil e os EUA tendo reconhecido o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas.
Pressão diplomática cresce
Nos últimos meses, aliados de Bolsonaro nos EUA têm pressionado o governo americano a adotar postura mais firme em relação ao STF e às condenações de líderes conservadores no Brasil. A visita de Beattie — caso aprovada por Moraes — seria lida tanto como gesto de apoio dos EUA quanto como novo capítulo da disputa entre o Judiciário brasileiro e o entorno de Trump.