BASTIDORES: Lula Pressiona Toffoli a Deixar o STF — PF Teria Mais Munição e Governo Teme Nova Crise na Corte
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vem trabalhando nos bastidores para convencer o ministro Dias Toffoli a se licenciar do Supremo Tribunal Federal (STF) e, no médio prazo, renunciar ao cargo. A informação, revelada pela colunista Malu Gaspar, aponta que Lula tem pedido a pessoas próximas de Toffoli que o convençam a se afastar alegando motivos de saúde. A articulação é movida pelo temor de que novas revelações sobre o ministro arrastem toda a Corte para o centro de mais uma crise política.
Segundo interlocutores ouvidos pela reportagem, Lula teria sido informado de que os escândalos já conhecidos envolvendo Toffoli e o grupo do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, seriam “apenas um aperitivo” do que ainda pode vir à tona. O documento da Polícia Federal apresentado ao presidente do STF Edson Fachin, em fevereiro, já citava transações polêmicas: o grupo Vorcaro pagou R$ 35 milhões por uma fatia do resort do qual Toffoli é sócio. Pressionado pelos pares, o ministro renunciou à relatoria do caso Master — mas Fachin arquivou o processo sobre a suspeição do colega.
Toffoli resiste e diz que não há mais nada comprometedor
Apesar da pressão do Executivo, Toffoli tem dito a interlocutores que não pretende se afastar e que não existem informações comprometedoras além do que já foi público. Indicado por Lula em seu segundo mandato, o ministro pode permanecer no STF até 2042, quando completará 75 anos. No Congresso, parlamentares desconfiam que o movimento serve também para proteger o ministro Alexandre de Moraes, igualmente citado no escândalo Master — inclusive em mensagens em que Vorcaro perguntava se ele havia “conseguido bloquear” algo não esclarecido publicamente.
Congresso cético e clima de “salve-se quem puder”
Lideranças partidárias ouvidas pelo Estado de Minas revelaram ceticismo quanto à saída efetiva de Toffoli. “Se um sai em um momento como este, cria-se outra crise, além de um clima de ‘salve-se quem puder'”, disse um senador do Centrão em reservado. Para o cidadão comum, o quadro é preocupante: o governo articula nos bastidores a composição de uma das mais altas cortes do país, enquanto investigações sobre ligações suspeitas de ministros permanecem sem desfecho claro.