BARROSO PROMETE ‘AUTOCONTENÇÃO’ — MAS MINISTROS DO STF VÃO À FORRA: Discurso Gerou Incômodo na Própria Corte
O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Luís Roberto Barroso, prometeu em reunião reservada “maior alinhamento” entre os ministros e adotou discurso de autocontenção após a série de decisões que colocaram o STF na berlinda. A postura foi interpretada por integrantes da própria Corte como recuo — e gerou incômodo interno, segundo apuração do jornal O Globo.
O movimento de Barroso ocorre em contexto de pressão política crescente: o STF é alvo de críticas tanto da oposição quanto de aliados do governo, especialmente após a intervenção de Alexandre de Moraes na questão da prisão domiciliar de Bolsonaro, o bloqueio de dados da CPI do Master e a suspensão da lei de sucessão do governador do Rio via despacho monocrático do ministro Fux. Para o cidadão comum, o quadro é claro: uma corte que age como poder político, e não como árbitro.
O discurso de autocontenção, porém, não se reflete nos atos dos ministros. Moraes seguiu negando a prisão domiciliar a Bolsonaro, mesmo com laudo médico confirmando pneumonia grave. Fux seguiu intervindo na política estadual do Rio. E a Primeira Turma deve julgar hoje o caso da domiciliar — em decisão que todo o Brasil aguarda com atenção.
Credibilidade em xeque
Juristas e constitucionalistas têm apontado que o problema do STF não é de comunicação, mas de substância. Decisões monocráticas que afetam processos eleitorais, bloqueio de CPI e tratamento diferenciado entre acusados — com uma régua para aliados do governo e outra para a oposição — corrói a confiança da sociedade no Judiciário.
A promessa de autocontenção de Barroso só terá credibilidade quando se refletir nas ações dos ministros. Por ora, soa mais como gestão de imagem do que mudança real de postura.