BARROSO ADMITE ‘MOMENTO DIFÍCIL’ NO STF: Presidente do tribunal reconhece crise mas foge das causas reais
O presidente do Supremo Tribunal Federal, Luís Roberto Barroso, admitiu publicamente que o STF atravessa um “momento difícil” — declaração que surpreendeu pela raridade, mas decepcionou pela ausência de autocrítica. Em entrevista, Barroso disse aprovar a criação de um código de ética para o tribunal, sem, no entanto, tocar nas causas concretas do desgaste institucional que afeta a credibilidade da Corte perante a sociedade.
O que gerou o ‘momento difícil’
A crise do STF tem endereço: o escândalo do Banco Master expôs contratos milionários entre o escritório da esposa do ministro Alexandre de Moraes e o banco do banqueiro Vorcaro; o ministro Dias Toffoli foi sorteado relator de ação sobre a CPI do Master — banco que também o teria beneficiado com R$ 700 mil em whisky e outras regalias, segundo apuração da CPI. Toffoli precisou se declarar suspeito em seguida. O STF que deveria ser guardião da Constituição virou personagem central de um dos maiores escândalos financeiros dos últimos anos.
Para o cidadão comum, a questão é simples: ministros que deveriam julgar com imparcialidade aparecem ligados, direta ou indiretamente, a um banco investigado por fraude bilionária. A admissão de Barroso do “momento difícil” soa como eufemismo para uma crise de credibilidade sem precedentes na história recente da República.
Código de ética ou cortina de fumaça?
A proposta de um código de ética para o STF é bem-vinda — mas insuficiente sem mecanismos reais de controle externo e punição. Enquanto o Congresso avança em projetos para limitar os poderes da Corte, a sociedade brasileira observa e aguarda respostas concretas. Famílias, trabalhadores e empreendedores que pagam seus impostos merecem um Judiciário que preste contas — não apenas reconheça em entrevistas que algo está errado.