TEMER ENTREGA O JOGO: Ex-Presidente Revela que STF Participou da Costura da Dosimetria com Motta — Veto de Lula Vira Moeda de Troca Contra CPMI do Master
O ex-presidente Michel Temer (MDB) revelou, em entrevista ao podcast da Warren Investimentos nesta segunda-feira (6), como foi o bastidor que levou o projeto de anistia a ser substituído pela proposta de redução de penas para os presos do 8 de janeiro. A confissão abre uma janela perigosa: o Congresso Nacional não agiu sozinho — e o STF estava no circuito.
Segundo Temer, após defender a redução de penas no programa Roda Viva, da TV Cultura, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), ligou para ele dois dias depois. Motta apresentou o deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP) como relator do novo texto. Foi o próprio Temer quem sugeriu que os parlamentares fossem falar com os ministros do Supremo antes de aprovar qualquer coisa. “Vocês precisam conversar com o Supremo, porque vocês produzem um ato aqui sem o diálogo com o Supremo, vai acontecer o seguinte: o Supremo vai derrubar”, disse o ex-presidente. O resultado: o texto foi costurado com o STF e aprovado — só para ser vetado pelo presidente Lula na sequência.
A revelação de Temer levanta uma questão incômoda: se a dosimetria foi articulada em conjunto com o STF, por que a Corte não interferiu para impedir o veto presidencial? A resposta pode estar no cálculo político. O senador Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Congresso, estaria usando a derrubada do veto como moeda de troca para não pautar a CPMI do Banco Master — mais uma peça no xadrez que mantém investigações cruciais engavetadas. O trabalhador que votou e pagou imposto continua assistindo ao circo de costas entre poderes que deveriam se fiscalizar.
Contexto: Temer Indicou o Próprio Moraes ao STF
Não é sem ironia que Michel Temer seja o articulador dessa costura com o Supremo: foi ele quem indicou Alexandre de Moraes para a vaga no STF em 2017. Hoje, Moraes acumula denúncias de uso político do cargo, viagens em jatos de banqueiros investigados e pressão sobre o COAF para barrar a CPI do Master. O arquiteto virou refém da sua própria obra.