🇺🇸 EUA AMPLIAM PRESSÃO SOBRE O BRASIL: Relatório Americano Acusa Moraes de ‘Censura Global’, Ameaça Tarifas e Aponta PCC como Terrorismo — Lula Endurece Tom
O governo de Donald Trump acirrou o confronto diplomático com o Brasil nesta semana ao divulgar dois relatórios que atacam simultaneamente o ambiente comercial brasileiro e o Judiciário nacional. A dupla ofensiva eleva o nível de tensão entre Washington e Brasília às vésperas de um encontro bilateral ainda sem data definida — e abre espaço concreto para sanções comerciais e individuais contra autoridades brasileiras.
USTR: PIX, Tarifas e ‘Práticas Desleais’
Na quarta-feira (1º), o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) divulgou o Relatório Anual de Estimativa de Comércio Nacional de 2026, com críticas diretas ao Brasil baseadas na Seção 301 da Lei de Comércio americana — instrumento que permite a aplicação de tarifas e restrições comerciais contra países acusados de práticas desleais. O documento aponta:
- Tarifas elevadas e ambiente regulatório “pouco previsível” para empresas americanas;
- Risco de tratamento preferencial ao PIX, que prejudicaria gigantes americanas como Visa e Mastercard;
- Circulação de produtos falsificados, com menção à Rua 25 de Março, em São Paulo;
- Propostas legislativas que podem impactar plataformas digitais internacionais.
Congresso Americano Acusa Moraes de ‘Regime de Censura Global’
Paralelamente, o Comitê Judiciário da Câmara dos EUA divulgou seu 3º relatório sobre o Brasil, acusando o ministro Alexandre de Moraes de impor um “modelo de censura com alcance global”. O documento aponta que decisões de Moraes determinaram a remoção de conteúdos e contas em redes sociais que alcançavam usuários nos próprios Estados Unidos, violando a liberdade de expressão protegida pela Constituição americana. O texto cita explicitamente os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro como alvos das medidas: o deputado Eduardo Bolsonaro, que vive nos EUA, e o senador Flávio Bolsonaro, líder nas pesquisas para 2026, são citados como vítimas de restrições que afetam o debate público às vésperas das eleições brasileiras. O secretário de Estado Marco Rubio endossou o relatório, sinalizando que os EUA estão “atentos” à censura e perseguição no Brasil.
PCC e Comando Vermelho na Mira de Trump
Além das frentes comercial e judicial, Washington avança na classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras — medida que abriria caminho para sanções, bloqueio de ativos e restrições financeiras contra integrantes e colaboradores dessas facções. O Departamento de Estado reconheceu que vê as organizações criminosas brasileiras como “ameaças significativas à segurança regional”, sem confirmar oficialmente a classificação.
Janela de Risco para a Economia Brasileira
Especialistas ouvidos pela Gazeta do Povo avaliam que a ofensiva americana abre uma “janela de possíveis sanções” contra o Brasil nos próximos meses. O avanço da investigação do USTR pode resultar em tarifas direcionadas a setores estratégicos, enquanto o relatório do Comitê Judiciário pode impulsionar novas propostas de sanções individuais nos moldes da Lei Magnitsky — que já atingiu Moraes e sua mulher em 2025, antes de serem suspensos. O encontro bilateral entre Lula e Trump, previsto para março mas adiado pela guerra no Irã, segue sem nova data. A retórica cada vez mais agressiva de ambos os lados torna a reunião mais necessária — e ao mesmo tempo mais difícil de acontecer.
Fontes: Gazeta do Povo / Metrópoles / O Globo (02/04/2026)