✈️ PASSAGENS AÉREAS VÃO SUBIR ATÉ 20%: Petrobras reajusta querosene em mais de 50% por causa da guerra no Irã — trabalhador brasileiro vai pagar a conta
A guerra no Oriente Médio chegou ao bolso do brasileiro que viaja de avião. A Petrobras anunciou nesta quarta-feira (1º) um aumento de mais de 50% no preço médio do querosene de aviação (QAV) vendido às distribuidoras a partir de abril — e especialistas projetam que o impacto sobre as passagens aéreas pode chegar a 20%. A culpa não é da empresa estatal: é do petróleo em alta vertiginosa, puxado pela guerra entre EUA, Israel e Irã que bloqueou o Estreito de Ormuz.
O querosene disparou — e as passagens vão junto
O Petróleo Brent, que estava em torno de US$ 70 antes do início do conflito, já ultrapassou US$ 100 o barril. A Petrobras não tinha outra saída senão repassar o aumento às distribuidoras. O impacto direto: o querosene de aviação passou a representar 45% dos custos operacionais das companhias aéreas brasileiras — ante 30% antes da guerra.
Para Andre Castelini, sócio da Bain&Company: “Os gastos para transportar um passageiro por quilômetro vão aumentar aproximadamente 20%. Como quase metade das despesas das companhias aéreas é com o QAV, o custo operacional deve subir nessa proporção.”
Passagem pode subir 10% a 20%
Maurício França, sócio da L.E.K. Consulting, projeta que o impacto sobre as passagens ficará entre 10% e 20%, sendo cerca de 15% o cenário mais provável. O especialista alerta ainda para um efeito colateral grave: a queda na demanda.
“Em um cenário de alta de cerca de 15% nas passagens, é razoável esperar também uma retração da demanda em torno de 15%, o que seria bastante significativo para as empresas do setor”, avaliou França.
Isso significa que as companhias aéreas podem cortar rotas menos rentáveis — reduzindo a conectividade do país, especialmente em destinos menores e no Norte e Nordeste.
Abear: “consequências severas”
A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) não usou meias palavras: afirmou que o reajuste pode gerar “consequências severas” para o setor, restringindo a abertura de novas rotas e comprometendo a democratização do transporte aéreo no Brasil.
- Petrobras elevou QAV em mais de 50% a partir de abril de 2026
- Querosene já representa 45% dos custos das aéreas (era 30%)
- Passagens podem subir entre 10% e 20%, segundo especialistas
- Risco de corte de rotas e queda de demanda de até 15%
- Petróleo Brent foi de US$ 70 para mais de US$ 100 desde o início da guerra no Irã
Governo tenta conter os danos
Para suavizar o impacto, a Petrobras anunciou um mecanismo de parcelamento: em abril, as distribuidoras pagarão apenas 18% do aumento; o restante será parcelado em seis vezes a partir de julho. O Ministério de Portos e Aeroportos enviou ao Ministério da Fazenda uma proposta com redução temporária de tributos sobre o QAV, redução do IOF e do Imposto de Renda sobre operações de leasing de aeronaves.
A Fazenda, por sua vez, afirmou que “acompanha de forma permanente a evolução do cenário internacional” e que eventuais medidas serão tomadas “com responsabilidade”. Na prática: o trabalhador brasileiro que precisar viajar a trabalho ou para ver a família vai pagar mais — como consequência direta de um conflito que o governo Lula não soube evitar e continua sem estratégia para enfrentar.
Fontes: G1/Globo, Petrobras, Abear, Gazeta do Povo