📊 DESEMPREGO SOBE PARA 5,8% NO 1º TRIMESTRE: IBGE Aponta 6,2 Milhões Desocupados — Mas Salário Bate Recorde de R$ 3.679
O Brasil encerrou o primeiro trimestre de 2026 com uma taxa de desemprego de 5,8%, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (27) pelo IBGE por meio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua). O número representa uma piora em relação ao trimestre encerrado em janeiro e coloca 6,2 milhões de brasileiros na fila da busca por trabalho — um aumento de 600 mil desocupados em apenas um trimestre.
O que causou a alta no desemprego?
Segundo o IBGE, o avanço do desemprego foi impulsionado pelo encerramento de contratos temporários nos setores de saúde, educação e construção civil — movimento típico do início do ano. A coordenadora de pesquisas do IBGE, Adriana Beringuy, explicou:
“Nos dois casos há influência de movimento sazonal, sobretudo nos segmentos de educação e saúde, nos quais parte expressiva dos ocupados é provida por contratos temporários no setor público. Na transição de um ano para outro, há um processo de encerramento dos contratos vigentes”, declarou.
- Administração pública, saúde e educação perderam 696 mil postos
- Setor da construção recuou 245 mil trabalhadores
- Total de ocupados caiu para 102,1 milhões — queda de 0,8% no trimestre
O único lado positivo: salário bate recorde histórico
Apesar da alta no desemprego, quem está trabalhando ganhou mais. O rendimento médio habitual atingiu R$ 3.679 — um recorde histórico e alta de 5,2% na comparação anual. Os setores que mais puxaram o aumento salarial foram:
- Outros serviços: +11,2%
- Comércio e reparação de veículos: +4,1%
- Administração pública e saúde: +2,9%
Outros destaques da PNAD
- Subutilização: 16,1 milhões de pessoas em situação de subutilização do trabalho
- Informalidade: taxa recuou levemente para 37,5%
- Carteira assinada: setor privado manteve 39,2 milhões com vínculo formal
Contexto: menor 5,8% da história para fevereiro
Apesar da piora no trimestre, o IBGE destaca que o índice de 5,8% é o menor para um trimestre encerrado em fevereiro desde o início da série histórica, em 2012. Ou seja, mesmo com a alta sazonal, o mercado de trabalho brasileiro ainda opera em patamar historicamente favorável.
No entanto, o cenário de juros elevados, pressão inflacionária e instabilidade política — agravada pela crise do Banco Master e pela turbulência no STF — mantém a cautela dos analistas sobre a trajetória do emprego nos próximos meses.
Fontes: Jovem Pan, CNN Brasil, IBGE/PNAD Contínua — 27/03/2026