🏛️ STF RACHA NO RIO: Maioria Vota por Eleição Indireta, mas Zanin Paralisa — Impasse Revela Disputa Política Disfarçada de Jurisprudência
A crise de governabilidade no Rio de Janeiro chegou a um ponto em que nem o STF consegue dar uma resposta coerente. Na sexta-feira (27), os ministros do Supremo formaram maioria de 6 a 4 para manter a eleição indireta e secreta na Assembleia Legislativa como mecanismo de escolha do novo governador do estado — mas Cristiano Zanin, em decisão individual, paralisou todo o processo antes que o resultado pudesse ser homologado. O caso foi retirado do plenário virtual e aguarda julgamento presencial.
Votaram pela eleição indireta os ministros Luiz Fux, Cármen Lúcia, Nunes Marques, André Mendonça, Dias Toffoli e Edson Fachin. Do outro lado, Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Flávio Dino e o próprio Zanin defenderam eleição direta. A divisão não é apenas técnica: reflete disputas políticas concretas. O PSD de Eduardo Paes — pré-candidato ao Palácio Guanabara — foi ao STF justamente para barrar o processo de eleição indireta que favoreceria o candidato do PL.
Como o Rio Chegou Aqui
O governador Cláudio Castro (PL) renunciou no dia 23 de março, véspera do julgamento no TSE que cassou seu mandato por irregularidades eleitorais. Sem vice — o cargo ficou vago desde maio de 2025 — a linha de sucessão apontava para o presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União), que por sua vez também teve o mandato cassado e foi preso preventivamente por ordem de Moraes, por vazamento de dados sigilosos de operações policiais. Douglas Ruas (PL), eleito novo presidente da Alerj pelos deputados, seria o próximo na fila — mas a presidente em exercício do TJ-RJ anulou a votação da Alerj, alegando que é preciso aguardar a retotalização dos votos de 2022 para definir o substituto de Bacellar.
Eleição Indireta Marcada para Terça — Por Enquanto Suspensa
O TRE-RJ havia marcado para a próxima terça-feira (31) a cerimônia de retotalização dos votos para definir quem ocupa a vaga de Bacellar. Enquanto isso, o estado permanece sob o comando interino do desembargador Ricardo Couto, presidente em exercício do TJ-RJ, por determinação do próprio STF. O cidadão carioca assiste perplexo a uma crise que mistura inelegibilidades, cassações, prisões e manobras partidárias — tudo isso a menos de seis meses das eleições de 2026. O Rio de Janeiro tornou-se um laboratório do caos institucional que o ativismo judicial plantou no país.