Bastidores do STF: Moraes e Toffoli podem enfrentar CPI e impeachment em 2027, mas se julgam protegidos por ora
Ministros e assessores do Supremo Tribunal Federal (STF) avaliam nos bastidores que os pedidos de impeachment contra Alexandre de Moraes e Dias Toffoli — assim como a criação de uma CPI para investigar o envolvimento dos dois com o caso Banco Master — não devem avançar ainda em 2026. A avaliação, revelada pelo Estadão, indica que o tribunal se sente protegido pela atual composição do Congresso. Mas a calmaria pode ser de curta duração.
Fontes do próprio tribunal admitem que o cenário muda completamente em 2027. Com as eleições legislativas deste ano, a tendência é de uma virada à direita no Congresso, especialmente no Senado — arena que importa diretamente para o processo de afastamento de ministros do STF. O ex-presidente Jair Bolsonaro já vinha sinalizando essa estratégia antes mesmo de ser condenado: o objetivo era eleger o maior número possível de senadores alinhados para que a pressão sobre o tribunal se tornasse juridicamente eficaz.
Nesse contexto, a família Bolsonaro traçou um plano nacional. Carlos Bolsonaro deve disputar uma vaga pelo Senado em Santa Catarina, enquanto Michelle Bolsonaro encabeça a lista pelo Distrito Federal. No Paraná, a aliança entre Sérgio Moro (PL), Filipe Barros (PL) e Deltan Dallagnol (Novo) aponta para um estado que pode eleger uma bancada de oposição coesa ao STF.
Pressão deve virar bandeira eleitoral
Segundo fontes do tribunal, a própria pressão do Congresso sobre Moraes e Toffoli tende a ser usada como bandeira de campanha pelos candidatos da direita em 2026. Há hoje 97 pedidos de impeachment contra ministros do STF aguardando na gaveta do Congresso — seis deles apenas contra Moraes e cinco contra Toffoli. A ligação dos dois ministros com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master investigado pela Polícia Federal, continua no centro das críticas da oposição.